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Táticas de Infantaria

 


TÁTICAS DE INFANTARIA


No início do séc. XX a maioria dos chefes militares dava uma grande importância à utilização da infantaria em ataques com baioneta apoiados pela cavalaria e por peças móveis de artilharia. Os oficiais franceses eram grandes adeptos desta táctica e, na 1ª Guerra Mundial, enviaram soldados para o campo de batalha sem equipamento adaptado às trincheiras. Diziam que as precauções defensivas eram desnecessárias caso fizessem ataques maciços e suficientemente rápidos.


Estas tácticas foram postas em xeque depois dos exércitos terem sofrido pesadas baixas em ataques contra trincheiras defendidas por metralhadoras. Apesar dos bombardeamentos que se faziam antes dos soldados avançarem, do uso de gás e de lança-chamas, a infantaria fracassou na Frente Ocidental nas batalhas que se travaram em 1915.


Só em Amiens, em 1918, quando o coronel John Fuller conseguiu convencer o general Henri Rawlinson a usar 412 tanques de guerra seguidos por soldados e apoiados por 1000 aviões de combate é que os aliados conseguiram quebrar as defesas dos alemães na Frente Ocidental.


 O SISTEMA DE TRINCHEIRAS


  


Depois da batalha do Marne em Setembro de 1914, os alemães foram forçados a se retirar até ao rio Aisne. O Comandante alemão, General Erich von Falkenhayn, decidiu que as suas tropas deviam permanecer a todo o custo nas zonas que ainda ocupavam entre a Bélgica e a França. Falkenhayn ordenou que os seus homens cavassem trincheiras que lhes dariam proteção contra o avanço das tropas francesas e inglesas. Os "aliados" rapidamente perceberam que não conseguiam ultrapassar esta linha e começaram também a cavar trincheiras.


Depois de alguns meses estas trincheiras cobriam já uma área que ia do Mar do Norte até à fronteira Suíça. Como os alemães foram os primeiros a usar esta tática, puderam escolher os melhores locais para fazerem as trincheiras. Isto deu-lhes vantagem e obrigou os franceses e os ingleses a viverem em piores condições. Grande parte desta zona estava a menos de um metro acima do nível do mar, por isso, não raras vezes, os soldados começavam a cavar e encontravam água. Trincheiras inundadas ou enlameadas eram um problema constante para os soldados da Frente Ocidental.


As trincheiras tinham habitualmente 2,30 metros de profundidade e 2 metros de largura. Nos parapeitos das trincheiras eram colocados sacos de areia (os "parados") para absorverem as balas e os estilhaços das bombas. Numa trincheira com esta profundidade não se conseguia espreitar, por isso, havia uma espécie de elevação no interior conhecida como "fire step".


As trincheiras não eram construídas em linha reta. Muitas eram perpendiculares de forma a que se o inimigo conseguisse tomar uma parte da trincheira, estava sujeito ao fogo das de apoio e das perpendiculares.


As trincheiras eram protegidas pelo arame farpado e por postos de metralhadora (muitos deles de espesso betão armado). Cavavam-se também trincheiras pela "terra de ninguém" dentro para ouvir o que se passava na posição inimiga ou para capturar soldados e depois interrogá-los.


 A TERRA DE NINGUÉM


"Terra de ninguém" foi o termo usado pelos soldados para descrever o terreno entre duas trincheiras inimigas. A distância entre elas variava, mas na Frente Ocidental era, em média, de 230 metros.


A "Terra de ninguém" continha grandes quantidades de arame farpado. Nas zonas de onde se previam mais ataques podiam haver 10 barreiras de arame farpado antes da primeira trincheira. Em algumas zonas o arame farpado ocupava mais de 30 metros de espessura.


Se fosse uma área sujeita a ataques constantes, a "terra de ninguém" ficava cheia de equipamento militar destruído e abandonado e de corpos que com o tempo entravam em decomposição. Era, juntamente com as trincheiras, território para ratos e doenças.


Era muito difícil atravessar a "terra de ninguém". Os soldados não só tinham que evitar as metralhadoras e as explosões, como tinham que ultrapassar as inúmeras barreiras de arame farpado, os detritos de material destruído ou abandonado e as crateras cheias de água e lama provocadas pelas bombas.


GÁS VENENOSO


Os gases venenosos eram conhecidos muito antes da 1ª Guerra Mundial, mas os oficiais do exército mostravam relutância em os utilizar por que os consideravam uma arma incivilizada. O exército francês foi o primeiro a utilizá-los, quando no primeiro mês de guerra dispararam granadas de gás lacrimejante contra os alemães.


Em Outubro já os alemães disparavam bombas com gás irritante. Começaram por usar gás de cloro. Este gás destruía os órgãos respiratórios e provocava uma lenta morte por asfixia.


Era importante ter em consideração as condições atmosféricas antes de lançar um ataque com gás. Quando o exército britânico lançou um ataque com gás em 25 de Setembro de 1915, o vento soprou contra o rosto das tropas britânicas mais avançadas provocando pesadas baixas. Este problema foi ultrapassado em 1916 quando se começou a utilizar a artilharia pesada para lançar bombas de gás a grande distância.


Depois do primeiro ataque alemão com gás cloro, as tropas aliadas eram abastecidas com máscaras de almofadas de algodão que iam sendo embebidas em urina. Tinha sido descoberto que o amoníaco das almofadas de algodão neutralizava o veneno. Outros soldados preferiam usar luvas, meias e cintos de flanela embebidos numa solução de bicarbonato de soda atados à volta da boca e do nariz até que o gás desaparecesse. Somente em julho de 1915 é que foram dadas aos soldados máscaras de gás eficientes e respiradouros anti-asfixia.


Uma das desvantagens do uso de gás cloro era que, ainda que provocasse a morte, esta só acontecia bastante tempo depois e, entretanto, o soldado continuava em condições de combater. Por esse motivo começou-se a usar fosgénio. Apenas uma pequena quantidade impossibilitava o soldado inimigo de continuar a combater e provocava a sua morte em 48 horas.


O gás mostarda foi usado pela primeira vez pelo exército alemão em Setembro de 1917. O mais mortífero dos venenos usados na guerra quase não tinha cheiro e demorava apenas 12 horas a produzir efeito. Este gás era tão potente que apenas pequenas quantidades precisavam de ser adicionadas às bombas para produzir efeito. Uma vez depositado no solo, o gás mantinha-se activo durante várias semanas.


Foi estimado que os alemães usaram 68 000 toneladas de gás contra os soldados aliados, mais do que o exército francês (36 000 toneladas) e o exército britânico (25 000 toneladas) juntos. Estima-se que 91 198 soldados morreram em resultado de ataques com gás e 1 200 000 foram hospitalizados. O exército russo foi o que mais sofreu com este tipo de guerra com cerca de 56 000 mortos


 


Traduzido e resumido a partir do site http://www.spartacus.schoolnet.co.uk


Prof. Carlos H.P. Ribeiro

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