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Contemporânea

O Canal de Suez

O Egito e o Canal de Suez


Desde a antiguidade, persas e depois romanos, imaginaram a construção de um ou mais canais que facilitassem o transporte de mercadorias entre regiões do Oriente Médio e a Europa.  Os romanos, quando invadiram a região, construíram vários canais ligando o sul até o delta do Nilo. No entanto, foi durante o século XIX que essa idéia ganhou novo corpo e se materializou, num momento de expansão do capitalismo, marcado pela expansão da indústria na Europa e a necessidade de ampliar mercados, assim como de encurtar distâncias entre os mesmo e as áreas produtoras.

Desde os primórdios do século XVI o Egito esteve sob domínio do Império Turco Otomano, domínio este que se estendeu até 1882. Foi um pouco antes dos turcos perderem o controle sobre a região, que o Canal de Suez foi construído.

O país era governado pelo Rei Said Pascha, que assinou, em novembro de 1854, a licença para a construção de um canal entre os mares Vermelho e Mediterrâneo. A Obra ficou a cargo da Companhia Geral do Canal de Suez, criada pelo engenheiro francês Ferdinand Marie de Lesseps, que obteve permissão para explorá-lo durante 99 anos. A obra foi concluída e inaugurada em 1869.
Na segunda metade do século XIX, época da construção do Canal, a França era governada por Napoleão III e vivenciava um processo de rápida industrialização, dentro daquilo que se convencionou denominar como Segunda Revolução Industrial.

A França já ocupava algumas regiões da África, como a Argélia (conquistada entre 1830 e 1834) e pode-se compreender a construção do Canal de Suez como mais um passo de uma política imperialista, típica do final daquele século, que envolveu diversas nações do continente europeu e ainda o Japão, no processo neocolonialista.

Toda uma legislação especial foi estabelecida para a utilização do Canal, caracterizada pelo liberalismo, que considerava a permissão de passagem para embarcações de qualquer nação. Mesmo assim, as disputas coloniais colocavam novas situações de conflito, envolvendo o interesse de empresas e de nações, na verdade interesses que misturavam público e privado.

Foi nesse contexto que a Inglaterra, a maior potência da época e que continuava sua política de expansão, invadiu e dominou o Egito, retirando-o da dominação turca.

O Império Turco conhecia um processo de decadência, percebido pelas lutas nacionalistas na Península Balcânica e reduzia-se, perdendo espaço para as potências européias, que vislumbravam dominar as regiões do Oriente Médio.

Na época da inauguração do Canal de Suez ainda não havia a exploração de petróleo no Oriente Médio, que décadas depois, já no início do século XX,  colocou um novo ingrediente nas disputas que envolveram a região.

 A ocupação britânica

 A construção do Canal de Suez foi responsável por grande endividamento externo do governo egípcio, que obtivera empréstimos em bancos europeus, em especial ingleses. O governo estabeleceu uma situação de dependência crescente em relação ao capital internacional, fato que permitiu a ampliação de negócios estrangeiros no país e, ao mesmo tempo, alimentou um forte movimento nacionalista liderado por militares, que pretenderam derrubar o governo de Ismail Pacha.

A intervenção britânica iniciou-se em 1881e no ano seguinte o movimento revolucionário dos militares foi derrotado. Os ingleses passavam a exercer maior controle sobre o Canal, assim como passaram a ter o controle quase que completo da economia egípcia, a maior produtora de algodão do mundo naquele momento, matéria-prima fundamental para a indústria têxtil inglesa, a mais moderna da época.

A Inglaterra implementou no Egito o mesmo modelo de colonização que desenvolvia em outras regiões sob seu domínio, preservando no poder uma elite local, porém subserviente aos interesses britânicos. A manutenção de tropas britânicas, com o pretexto de garantir a ordem e os direitos dos investidores no país foi acompanhada da manutenção do antigo governante, o quediva (designação para vice-rei para os turcos). Apesar da existência de um “governo egípcio”, quem comandava o país eram os Altos Comissários Gerais britânicos, que por igual acumulavam a função protocolar de cônsules gerais do Império Britânico no Egito, apoiados pela elite agrária exportadora de algodão. A população promoveu pequenas revoltas e demonstrou descontentamento com a presença e influência britânica e a religião muçulmana serviu de elemento catalisador para esse descontentamento, apesar de que mesmo a elite entreguista era muçulmana. No entanto o movimento popular nunca encontrou força suficiente para a expulsão dos britânicos

 Com o início da Primeira Guerra Mundial, o povo  egípcio depositou esperanças de que no final do conflito ocorreria a evacuação das tropas britânicas do país.

No entanto, o acordo secreto Saykes-Picott, de 1916, entre Ingçlaterra e a França, que dois anos depois  venceram a guerra, demosntrou que as potências não tinham nenhum intenção de abandonar o Oriente Médio. As duas potências colonialistas, controladoras do Canal de Suez,pretendiam manter e ampliar o controle sobre diversas regiões do Oriente Médio. Alias foi durante a Guerra que caracterizou a existência de petróleo da região. Inglaterra e França acertaram dividir entre si as antigas províncias otomanas (a Inglaterra preservou o controle sobre o  Egito, mais a Palestina, a Transjordânia e a Mesopotâmia - atual Iraque  -, enquanto a França passou a dominar as regiões do Líbano e da Síria).

 

 

 

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