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O Gueto de Varsóvia

O GUETO DE VARSÓVIA
 
Introdução
A teoria anti-semita do nazismo foi esboçada inicialmente no livro “Mein Kampf”, (Minha Luta) que Hitler escreveu enquanto esteve no presídio militar de Landsberg, por força de sentença do Tribunal de Munique, uma vez que liderara o levante conhecido como PUTSCH DE MUNIQUE. Condenado a 5 anos de prisão, ficou detido por apenas 8 meses.
Toda a década de 20 do século XX foi caracterizada por grave crise na Alemanha, em parte devido as imposições do pós Primeira Guerra, que se ampliaram após a crise 1929. Apesar de variações na dimensão da crise, considera-se que ela foi responsável pela “polarização ideológica”, quando percebemos a organização e o crescimento do movimento fascista e, na Alemanha, do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores (Nazista) liderado por Hitler
O Partido nazista chegou efetivamente ao poder em janeiro de 1933. Desde então configurou-se uma ditadura no país e, do ponto de vista social, a perseguição em larga escala aos judeus;  não havia instância policial ou estatal capaz de conter os distúrbios e agressões das SA, as temidas milícias paramilitares do Partido Nacional-Socialista ( o nome original, Sturmabteilung, significaria Divisão de Assalto).
Rapidamente os judeus foram despojados de seus direitos individuais e civis, proibidos de exercer determinadas profissões, limitados em seu direito de ir e vir, expulsos de universidades, agredidos, obrigados a entregar ou vender empresas e propriedades. Quem podia, tentava fugir para o exterior para escapar das perseguições.
As perseguições se estenderam a todos os territórios ocupados pelas tropas alemãs, conforme avançavam, principalmente em territórios do leste europeu. Nesse sentido, a Polônia, primeiro país ocupado pelos alemães e com população judaica em grande número, sentiu diretamente os efeitos da política nazista, que combinou o “combate às raças inferiores” com o combate a todos aqueles que se opunham ao novo governo do pinto de vista político. Socialistas, comunistas, nacionalistas poloneses, todos que, de alguma forma participaram ou contribuíram com a resistência polonesa foram perseguidos e, quando capturados, enviados inicialmente para Auschwitz.
 
A Solução Final
 
Não se sabe exatamente quando se iniciou a política de extermínio completo dos judeus, designada pelos nazistas como “a solução final”. Para muitos historiadores a “Solução Final” teria se iniciado após a invasão da União Soviética, quando os Einsatzgruppen (Grupos de Tarefas Especiais) entraram na União Soviética seguindo a invasão das forças armadas, em junho de 1941 e passaram a fuzilar judeus onde quer que estes se encontrassem. Cerca de 500.000 judeus foram mortos desta forma entre Julho e Dezembro de 1941.
No entanto, a maioria dos documentos existentes considera que a decisão de Hitler, no sentido de efetivar a eliminação em massa, foi de dezembro de 1941 e, portanto, colocada em prática a partir do início do ano seguinte.
 
Varsóvia
 
Enquanto os campos de concentração destinavam-se aos prisioneiros políticos, os judeus foram obrigados e viver em “guetos”; Os guetos judeus na região do chamado "governo geral" (área sob domínio nazista) deveriam acolher todos os judeus europeus: Lodz, Varsóvia, Cracóvia, Jalowiec ou Bialystok.
Quando o exército alemão instalou-se na Polônia e passou a exercer controle efetivo na área sob seu domínio, em outubro de 1939,iniciou uma política de transferência dos 400 mil judeus de Varsóvia para o antigo bairro judeu que, em condições normais, tinha condições de  abrigar 60 mil pessoas.
Um muro de cerca de 3 metros de altura, ao longo de 18 kilometros foi rapidamente levantado para isolar completamente o bairro, que tornou-se um "gueto" no sentido mais exato e nefasto da palavra. Aos judeus de Varsóvia se somaram outros 100 mil, presos nos povoados vizinhos. As imagens do gueto mostram as condições sub-humanas de vida sem a menor infra-estrutura habitacional, de alimentação ou de saúde.. Crianças esqueléticas pediam esmolas nas ruas, adultos desesperados sem dinheiro para poder sobreviver. Os gêneros alimentícios eram contrabandeados.
 
Em 1942, os nazistas deram início a sua política de eliminação física dos judeus, cujo nome era "deportação para o Leste". Para as pessoas nos guetos, afirmavam que iriam para uma frente de trabalho e que poderiam inclusive ganhar dinheiro. Mas o destino final da viagem eram os campos de extermínio. Até janeiro de 1943, quase 317 mil judeus foram deportados e assassinados nas câmaras de gás.
As pessoas que permaneceram no Gueto de Varsóvia ficaram desconfiadas e a resistência judaica que começara a se organizar início de 1940 transformou-se num grupo de combate, reunindo todas as tendências políticas possíveis.
Em janeiro de 1943, Heinrich Himmler, então chefe da Gestapo – a polícia secreta -, esteve em Varsóvia e foi pessoalmente ao gueto, para logo após dar a ordem de destruição e de extermínio de todos os seus habitantes. No dia 18 de janeiro de 1943, vários batalhões da SS (Schutzstaffel - em português "Tropa de Proteção") cercaram a atacaram o gueto, mas para surpresa geral, foram recebidas à bala e granadas, forçadas a se retirar após sofrerem muitas baixas.
Um dos principais líderes da rebelião, Anilevitch, um jovem de 24 anos, fez um apelo ao mundo exterior através de uma rádio clandestina: "Declaramos guerra à Alemanha, a declaração de guerra mais desesperada que já foi feita. Organizamos a defesa do gueto, não para que o gueto possa defender-se, mas para que o mundo veja a nossa luta desesperada como uma advertência e uma crítica".
Após uma trégua de três meses, em 19 de abril de 1943, foi realizada nova investida de tropas nazistas, que contou com a colaboração de grupos fascistas poloneses e ucranianos. Mais uma vez os moradores do gueto resistiram, utilizando armas contrabandeadas, e rechaçaram os inimigos que acabaram fugindo de forma desorganizada. Para os defensores do gueto, o desespero era sua força.
Diante de tamanha resistência, o comandante alemão Jürgen Stroop recebeu ordem pessoal de Hitler para usar de todos os meios a fim de destruir o gueto: artilharia, blindados, lança-chamas, gás asfixiante. Era uma luta corpo a corpo nas ruas, nas casas, sala por sala, sobre os telhados, nos porões, nos esgotos. Finalmente, no ataque final, a aviação alemã teve que intervir para acabar com os últimos focos de resistência.
Para comemorar a destrição do "gueto", Stroop mandou dinamitar a principal sinagoga de Varsóvia, representando o ato final do extermínio daquela que havia sido uma das maiores comunidades judaicas da Europa.

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