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Contemporânea

Formação do Imperialismo

Formação do Imperialismo
Por Claudio Recco
 
Fim da Pax Britânica
A segunda metade do século XIX foi o momento em que a hegemonia inglesa sobre o comércio mundial de produtos industrializados se desfez. Desde o fim do século XVIII, época da Revolução Industrial, a Inglaterra promoveu forte expansão, atingindo mercados europeus e americanos, estes últimos indiretamente ou com limitações, apoiando-se em poucos direitos sobre as colônias espanholas e sobre o Brasil, após a abertura dos portos promovida por D. João VI já no inicio do século XIX. Nessa época também se percebe o domínio britânico sobre regiões da Índia e sua ação agressiva sobre os mercados chineses.
Durante as décadas de 1860 e 1870, Estados Unidos, Japão e Alemanha passaram por processo de modernização política e de acelerada industrialização, incentivada pela prática do protecionismo. Esses países, juntamente com a França que vivenciava forte processo de industrialização desde a revolução de 1830, caracterizaram uma nova etapa no comércio internacional, caracterizada por acentuada competição na busca e conquista de mercados, ameaçando a hegemonia inglesa.
A situação de disputa sobre os mercados internacionais avançou em duas direções opostas: as tentativas diplomáticas de re-divisão das áreas de influencia e a militarização das nações, vislumbrando uma disputa militar.
 
A Depressão Econômica de 1873-1896
Ao mesmo tempo em que se definia a competição dos países por mercados, a produção industrial, num ritmo acelerado, considerada pelos governantes e pela elite burguesa como uma situação de superprodução, determinada não apenas pelo maior número de países envolvidos na produção, mas também pelo grande desenvolvimento científico e tecnológico do período.
Internamente as nações desenvolveram políticas protecionistas, buscando restringir as importações com uma política de elevação tributária e assim garantir que os mercados nacionais ficassem sob controle dos produtores locais. Essa política determinou uma redução do contato comercial entre a principais nações e agudizou a corrida e a disputa por novos mercados externos.
Se por um lado a crise promoveu falências e desemprego, num processo desigual nas nações, por outro lado permitiu um processo de concentração de capitais com a formação de conglomerados empresariais, caracterizados por alianças ou fusões entre empresas, destacando-se a participação das instituições financeiras no processo produtivo, ou seja, muitos bancos se associaram às indústrias e os capitais injetados foram determinantes para a manutenção e ampliação da produção industrial, assim como pelas práticas de expansão dos mercados, avalizadas e apoiadas pelos governantes, através da ação militar.
 
 A Inglaterra e o Padrão-Ouro
Para a Inglaterra, praticar o protecionismo contrariava seus interesses, mesmo em tempos de
“mercados fechados” por toda a Europa.
O poder hegemônico da Inglaterra foi exercido durante todo o século XIX através de sua moeda, a libra esterlina. Na medida em que os britânicos eram a principal potência comercial, tendo negócios espalhados por todo o planeta, sua moeda era conhecida e recebida nos quatro cantos do globo. A mesma coisa não acontecia com as moedas de países menos presentes no mercado internacional, como a Áustria ou a Rússia por exemplo.
Assim, pouco a pouco a moeda inglesa foi sendo reconhecida como moeda de troca internacional. Isto significava dizer que os países passaram a fazer comércio internacional utilizando a moeda inglesa, e não suas moedas locais. O raciocínio para isso é simples: supomos que o Brasil venda para a China uma determinada carga de café, e aceite o pagamento em yuans. Recebendo o pagamento em moeda chinesa, o Brasil só poderá utilizar o dinheiro recebido para novas compras na China, visto que poucos outros aceitariam o yuan como forma de pagamento. Mas se o Brasil exigisse o pagamento em libras esterlinas, poderia utilizar os recursos obtidos para comprar em qualquer país, visto que todos aceitam a libra.
Mas por que todos aceitam a libra? Porque, em alguma medida, todos fazem comércio com a
Inglaterra, que é a principal (única, até meados do século XIX) fornecedora de produtos industrializados para o mundo. Assim, todos querem libras, porque com ela podem comercializar com o mundo, e, inevitavelmente, comprar os bens industrializados ingleses.
O que garante ao mundo que a libra tem valor estável? O fato de, desde 1717, seu valor estar lastreado em ouro. O “padrão-ouro” garantia que para cada libra-esterlina em circulação, uma quantidade fixa de ouro estaria assegurada no Tesouro Real. Assim, a qualquer momento, qualquer um em posse de libras poderia trocá-las por ouro junto às autoridades britânicas. Isso conferia grande segurança ao uso da libra: ninguém poderia duvidar que aquela moeda tivesse valor real, para além do poder de interferência de políticos e outros agentes públicos.
Como um país poderia obter libras esterlinas para mover seu comércio internacional? Ou exportava (exigindo pelas vendas o pagamento em moeda inglesa) ou “comprava” libras junto aos “proprietários” de dinheiro, leia-se, os bancos e financistas ingleses. A “compra” da libra esterlina significa, em outras palavras, contrair empréstimos, pagando juros.
Era desta forma que a Inglaterra mantinha o mundo sob seus pés. Todos precisavam da libra esterlina para suas atividades comerciais externas, e o capital financeiro inglês sabia muito bem disso. Assim, se a Inglaterra fechasse as portas de sua economia para o mundo, evitando transações comerciais e financiamentos externos, priorizando seu mercado interno, logo a presença da libra esterlina iria começar a se reduzir no mundo, e em pouco tempo deixaria de ser uma moeda internacionalmente “desejada”.
O livre comércio era, então, para a Inglaterra, chave de sua prosperidade.
 
O Neocolonialismo
A conquista de novos mercados foi a solução encontrada pelas nações industrializadas em crise. A impossibilidade de realizar investimentos no próprio país determinou uma política não apenas para escoar a produção em outros continentes, mas também para escoar o excedente de capitais e populacional.
Considerando que as principais indústrias dedicavam-se a produção de “bens de produção”, desenvolveram a “industria de base”, como poderiam exportar aço e afins para o continente africano, asiático e mesmo para a América e seus países recém independentes?
Os grandes conglomerados empresariais organizaram um processo de ocupação econômica, através da construção de ferrovias, estaleiros, portos, fábricas e empréstimos às elites locais. Além disso, a conquista empregou milhares de jovens como soldados, já que a mão-de-obra foi formada por uma parcela da população nativa.
A ação neocolonialista foi um processo imperialista de dominação econômica, buscando a exclusividade dos mercados, apoiada na ação militar e em imposições culturais, envolvendo inclusive o envio de missionários religiosos. Tal política foi justificada ideologicamente pelo “darwinismo social”, deturpação da teoria de Darwin para justificar a ação daqueles que se consideravam superiores, sobre sociedades tribais e primitivas que, sozinhas, nunca iriam se desenvolver.
 
 
Recentemente o HISTORIANET promoveu um “desafio histórico” com a seguinte questão:
- “No final do século XIX uma crise econômica atingiu as principais potências da época, que optaram por:”
Participaram dessa enquete 466 usuários.
Veja as opções e as respostas:
 
a) Promover a concentração de capital e a expansão dos mercados – 123 votos
b) Redividir de forma equilibrada os territórios da África e Ásia – 114 votos
c) Reduzir a produção e limitar a intervenção do Estado na economia – 116 votos
d) Elevar o nível de salário dos trabalhadores para ampliar o consumo – 113 votos
 

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