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Governo e corrupção

 O governo e a corrupção


Prof. Claudio Recco
Coordenador do HISTORIANET


As diversas acusações de corrupção que surgiram ao longo dos últimos anos tem alimentado grande indignação em parcela expressiva da sociedade. Acreditamos que grande parte das acusações sejam procedentes e devam ser investigadas, com a punição aos responsáveis.

No entanto, percebemos que, indiretamente, cria-se uma "verdade paralela": a de que antes não havia corrupção, forçando uma associação direta entre PT e corrupção.

Essa é a ideia que a grande imprensa passa propositalmente, pois apoia abertamente os projetos de governo do PSDB. Por isso, por exemplo, o livro "A Privataria Tucana" não é divulgado, apesar de vender milhares de exemplares; por isso ninguém diz que a “raposa” Sarney e seu partido , o PMDB, apoiaram e participaram do governo de FHC; por isso se esquecem que, se o latifundiário do Maranhão está no atula governo, o latifundiário da Bahia, a também raposa Antônio Carlos Magalhaes (falecido) esteve no governo do PSDB.

A corrupção está nas entranhas do poder e essa estrutura de poder foi deformada durante o regime militar. Os políticos de hoje ou de uma década atrás foram formados dentro da estrutura criada pelos militares e seu partido político, a ARENA.

Mas quem apoiava e participava da ARENA?
Quais os interesses civis envolvidos no apoio ao golpe militar e à ditadura que se seguiu?
Será que os militares eram "homens maus"?; 

Um dos aspectos mais contundentes do discurso militar para o golpe foi o combate à corrupção. A Historiadora Heloísa Starling chama a atenção para a seguinte questão: como aqueles que desprezam a ordem pública, que governam por imposições, que jogaram no lixo as instituições públicas poderiam se preocupar com os valores públicos?

   è Veja o excelente texto de Heloísa Starling

Como aqueles que se utilizaram da repressão e do financiamento de empresários para executá-la, poderiam reprimir a corrupção?

É de conhecimento público a articulação de generais com o governador de Minas Gerais Magalhaes Pinto para o golpe. Mas quem era Magalhães Pinto?. Governador ou Banqueiro?
Um dos principais articuladores civis do golpe de 64, Magalhães Pinto foi diretor da matriz do Banco da Lavoura do Estado de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Em outubro de 1943, quando já era um empresário de prestígio, foi um dos signatários do Manifesto dos mineiros, primeiro pronunciamento público de setores liberais contra o Estado Novo (1937-1945). Afastado da direção do Banco da Lavoura, em 1944 foi um dos fundadores do Banco Nacional de Minas Gerais que, em 1974, era considerado o 3º. Maior banco do Brasil.


Durante o regime militar, época de desenvolvimento de sua instituição bancária, foi deputado federal (um dos signatários do AI-5), Ministro das Relações Exteriores e Senador.

Nesse período a corrupção estrutural foi ampliada, mas obviamente não havia imprensa para denunciar, pois parte era a favor do governo e parte estava silenciada pela censura.
Quando a estrutura ditatorial começou a ruir, o principal foco da oposição foi a busca da liberdade e de direitos e não as denúncias de corrupção. Parece que a corrupção nasceu depois.


O exemplo mais emblemático é do Sr Paulo Maluf. Tido no imaginário popular como o político mais corrupto que o país já teve. Durante algum tempo criou-se inclusive a expressão “malufar”, como sinônimo de roubar. Até a famosa frase atribuída ao governador de São Paulo Ademar de Barros (que também apoiou o golpe) “rouba mas faz”, foi roubada.

Mas qual a origem política de Paulo Maluf?
Mais uma das crias do regime militar.


Em 1967 parte dos políticos tradicionais que apoiaram o golpe passou a questionar o governo militar. Queriam controlar diretamente o poder. Ademar de Barros e Carlos Lacerda, líderes políticos importantes se tornaram inconvenientes por os governantes militares, que viram a necessidade de construir uma nova base polítco-social, atraindo para as estruturas de poder um novo setor empresarial – além de preservarem o apoio de elites agrárias tradicionais.


Paulo Maluf era executivo de empresa familiar e em 1964, tornou-se vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo. 
Decidiu integrar-se na política, graças ao convite do  general Costa e Silva, que governou o país entre 1967 e 69, então líder da chamada "linha dura" do regime militar e foi nomeado para a presidência da Caixa Econômica Federal em São Paulo nos anos de 1967 e 1968.


Dois anos depois foi nomeado Prefeito de São Paulo, cargo que ocupou entre 1969 e 71, tornando-se depois Secretário de Transportes do Estado de São Paulo, até 1975. Era o governo Médici, época também conhecida como “os anos de chumbo”, marcada pela intensificação da repressão política, com prisões arbitrárias, tortura e execuções.

Foi escolhido na convecção da ARENA como governador de São Paulo, cargo que assumiu em 1979, época de declínio da ditadura, com o início do processo de abertura política.

É atualmente procurado pela Interpol em razão de mandado expedido pela promotoria de Nova Iorque, que o acusa de movimentar ilicitamente milhões de dólares no sistema financeiro internacional sem justificativa fundamentada.

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