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Resistência islâmica retira Israel do sul do Líbano



A RETIRADA DE ISRAEL

O dia 24 de maio é o mais novo e festejado feriado nacional do Líbano, e será sempre lembrado pelo povo libanês como o dia da libertação. No último 24 de maio, Israel, a maior potência bélica do Oriente Médio, retirou-se do sul do Líbano, encerrando 22 anos de ocupação, que causou a morte de cerca de 20 mil libaneses e mil israelenses, além de mil libaneses do Exército do Sul do Líbano, uma milícia formada por mercenários cristãos utilizados como escudo por Israel, frente a resistência do povo libanês.
Guerrilheiros do grupo islâmico Hizbollah, que estiveram na vanguarda da resistência libanesa, marcharam pela região e comemoraram a retirada do exército de Israel. As cenas mesclavam êxtase e alegria, principalmente nos centros de detenção, verdadeiros campos de concentração, mantidos por Israel, como Khiam, a prisão-símbolo da ocupação israelense, chamada de "Bastilha" pelos libaneses, que compararam o acontecimento em seu país com a queda da Bastilha -prisão política que foi invadida pelo povo de Paris em 1789, sendo o principal marco da Revolução Francesa. Os libaneses encarcerados em Khiam, por resistirem à ocupação israelense, foram presos sem acusação e sem direito a julgamento, sendo mantidos, muitos durante 15 anos, em celas úmidas e frias, e submetidos a torturas sistemáticas, segundo a Anistia Internacional e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha.
Num clima de revolta, vitória e alegria os habitantes do povoado, em sua maioria xiitas, derrubavam a porta das celas, destruíam as prisões e gritavam "longa vida a Nasrallah!" - o líder do Hizbollah. Outros, beijavam o chão de sua terra libertada e diante da chegada de seus parentes, chorando sem parar desmaiavam de emoção. Alguns habitantes do povoado libertado, se apossaram de veículos militares abandonados e saíram em direção aos povoados vizinhos, onde foram saudados em meio a uma chuva de arroz e pétalas de rosas.



Segundo grupos de direitos humanos, os horrores de Khiam ainda terão de ser descritos por completo. Espancamentos e choques elétricos eram parte da rotina da prisão. Os prisioneiros eram frequentemente pendurados por horas nos postes e golpeados na cabeça e na genitália com bastões de aço.

A DISSOLUÇÃO DO ESL

Se a libertação do sul do Líbano está sendo interpretada, inclusive por analistas israelenses, como uma derrota para Israel, para o ESL ( Exército do Sul do Líbano), foi literalmente o fim. O ESL, que agia com procuração de Israel e servia de carcereiro para os homens, mulheres e até crianças ( ao menos dez menores), se dissolveu e seus homens partiram com as mãos manchadas de muito sangue, como as organizações de defesa dos direitos humanos já lhes disseram repetidas vezes. A mesma coisa pode ser dita dos agentes israelenses que os treinaram no uso de técnica de tortura e de interrogatório e exerciam o controle de fato sobre a região. Cerca de mil membros do ESL ( por volta de 40 % de seus integrantes), se entregaram ao exército libanês e ao Hizbollah. Outros mil conseguiram fugir para Israel em busca de asilo. Os homens do ESL, contratados e treinados por Israel, foram oficialmente classificados como traidores pelo governo libanês. O secretário-geral do Hizbollah, xeque Hassan Nasrallah, disse que os membros do ESL "não devem ter medo", pois seriam entregues ao governo libanês "para receber um julgamento justo".

ATUAÇÃO DO HIZBOLLAH

O Hizbollah (Partido de Deus em árabe), nasceu como uma milícia islâmica após a invasão israelense no Líbano em 1982. Sua atuação no país está longe de se limitar a um movimento de resistência militar à presença israelense. Apesar de ser o principal movimento de combate à presença israelense no sul, o Hizbollah desenvolveu uma série de atividades sociais, que se refletem em assistência para 10% da população libanesa, consolidando-se como uma importante força política, que possivelmente crescerá após a retirada israelense.
Os serviços sociais do Hizbollah concentram-se em cinco áreas: ajuda a familiares de mártires, saúde, educação, reconstrução e agricultura. O Hizbollah conta com cinco hospitais, 43 clínicas e duas escolas de enfermagem. Segundo a ONU, ao menos 220 mil pessoas em 130 cidades libanesas se tratam nesses locais. Na área da educação o Hizbollah possuí 12 escolas com 7 mil alunos e 700 professores e centros culturais franceses auxiliam no aperfeiçoamento do corpo docente.
Na reconstrução existe uma instituição exclusiva para reparar danos causados por ataques israelenses, enquanto que na agricultura engenheiros agrônomos formados em Beirute, na Síria, no Irã e na Alemanha, desenvolvem importantes projetos agrícolas para garantir a base da economia do sul do país.

A OCUPAÇÃO DO LÍBANO

A história da ocupação do Líbano por Israel, inicia-se em 1978 com uma ofensiva desse país no sul do Líbano (fronteira com o norte de Israel), para combater guerrilheiros da OLP (Organização para Libertação da Palestina). Após os combates e a saída dos palestinos, Israel mantém uma zona de ocupação no sul do Líbano. Em 1982, tropas israelenses invadem o Líbano para combater a resistência árabe, chegando até Beirute. A retirada será feita somente em 1985, deixando porém, cerca de mil soldados na área de ocupação.
Em 1993, combatendo os guerrilheiros do Hisbollah, Israel bombardeia o Líbano, matando 130 libaneses e três anos depois, na operação intitulada Vinhas da Ira, contra o Hisbollah, morrem pelo menos mais 200 pessoas.
Em 1999 Israel se compromete a se retirar do Líbano até julho de 2000, antecipando sua saída para 24 de maio, fato que foi visto por muitos analistas, inclusive israelenses, como uma precipitação e derrota de Israel. Nesse sentido o Líbano já está sendo chamado por muitos de "Vietnã israelense".



PAZ NO SUL DO LÍBANO?

Apesar de pela primeira vez em anos, observadores da ONU, não terem presenciado nenhum tipo de enfrentamento, a Organização deve ampliar seu contingente de 4.500 soldados para 8.000. Já a Síria, que mantém 35 mil soldados no Líbano, afirmou que "não haverá paz na região até que Israel devolva a totalidade das colinas do Golã e as fazendas de Chebaa (territórios sírio e libanês respectivamente, ocupados por Israel desde 1967) e reconheça o direito do povo palestino à sua terra.No dia seguinte à retirada israelense do sul do Líbano, o xeque Hassan Nasrallah dirigiu-se através de um longo discurso para mais de 20 mil homens do Hizbollah e exortando os palestinos a seguir o exemplo do Hizbollah no combate às forças de ocupação israelenses disse: "Povo da Palestina, seu destino está em suas próprias mãos. Vocês só poderão reconquistar seu destino com seus próprios atos. Ë preciso que reconquistem sua terra e não se satisfaçam com um vilarejo aqui, uma vila ali. Precisam reivindicar seus legítimos direitos. O caminho do povo palestino passa pela resistência, pela Intifada (revolta popular palestina contra a ocupação israelense)... " Esse importante pronunciamento transferiu a resistência aos palestinos e por outro lado, significou também, o fim da guerra de guerrilha movida pelo Hizbollah contra Israel.

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