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Peru: Autoritarismo e Preconceito

As recentes eleições no Peru demonstram mais uma vez ao mundo uma das principais características históricas da América Latina: o autoritarismo.
No entanto o autoritarismo não é uma característica do povo ou do caráter latino americano, mas fruto de condições históricas que se desenvolveram desde o século anterior, em grande parte determinada pela política das grandes potências internacionais, a partir da divisão internacional do trabalho, imposta com a Segunda Revolução Industrial.

O PERU ATUAL

As eleições peruanas foram responsáveis por atrair a atenção internacional a partir do momento em que a justiça autorizou o presidente-ditador Alberto Fujimori a concorrer, possibilitando-lhe o terceiro mandato consecutivo.
A legislação casuística e a subordinação do Poder Judiciário ao Executivo são os elementos que mais evidenciam o caráter autoritário do governo; no entanto, a utilização do aparelho repressivo da Forças Armadas desde que assumiu o poder, com o pretexto de combater a guerrilha, foi responsável pela eliminação de vários grupos de oposição e intervenção na imprensa, possibilitando ao governo desenvolver uma política subordinada aos interesses do FMI.
Desta maneira os trabalhadores rurais, de origem indígena, foram os mais afetados pela política recessiva, que tem seus efeitos surgindo neste momento com cerca de 8 milhões de desempregados no país, acabando com a ilusão dos primeiros anos de governo, quando o apoio norte americano, criou a expectativa de prosperidade. Eliminados os principais focos de resistência, os EUA consideram que chegou a hora de o Peru cumprir seus compromissos internacionais. Foi neste quadro que surgiu a candidatura de Alejandro Toledo.

A candidatura de Toledo aglutinou principalmente as camadas populares do campo, setores intelectualizados de classe média e estudantes, em parte por sua origem mestiça e pobre, uma vez que ainda hoje o mestiço é maioria na população do país. Isso não significa porém que o candidato oposicionista seja um legítimo representante dos camponeses, pois na verdade possui um programa político reformista.



A FORMAÇÃO DO PERU

A região do atual Peru foi conquistada pelos espanhóis no decorrer da década de 30 do século XVI. Em 1533 Francisco Pizarro entra em Cuzco, capital do Império Inca, momento crucial para que a conquista se efetivasse.
Como "adelantado" Pizarro tinha o reconhecimento da Coroa espanhola para sua expedição, porém nenhuma ajuda direta do Estado. Mesmo sem participar financeiramente, era o Estado quem definia as regras da colonização da América, principalmente após as descobertas de metais preciosos no México e no interior da América do Sul.


Chegada do Vice Rei Diogo Morcillo em Potosí


Foi a prata que atraiu os espanhóis ao Império Inca, arrasando-o depois de vários anos de luta. No entanto, o fim do império não significou a eliminação do indígena, que passou a ser utilizado como trabalhador escravizado nas minas da região, através da mita. As guerras e as imposições do colonizador foram responsáveis por grande mortalidade e por outro lado, por grande mestiçagem, integrando parte das comunidades indígenas à estrutura socio-econômica imposta pela metrópole.
A preocupação em controlar as fontes de riquezas fez com que a metrópole assumisse o comando da colonização, dividindo território em Vice Reinos, sendo que no Peru, a cidade de Lima tornou-se centro administrativo e comercial, onde concentraram-se os interesses do Estado e dos grandes mercadores de origem espanhola (chapetones), enquanto a grande massa da população era superexplorada na mineração.

A INDEPENDÊNCIA

No século XVIII a crise do sistema colonial foi caracterizada pela independência da maioria das colônias americanas, dentre elas o Peru. A importância de Lima e a concentração de elementos provenientes da metrópole fez com que a região demorasse mais para obter a independência. A luta caracterizou-se pela participação das tropas de San Martin, proveniente da Argentina e que atacou pelo sul e por tropas mercenárias que atacaram por mar. San Martin derrotou os espanhóis e libertou o Peru em 1821, apesar de terem existido focos de resistência até 1824. Do ponto de vista social e econômico não houve alterações, preservando-se a estrutura fundiária de origem colonial

A QUESTÃO INDÍGENA

O massacre imposto as populações indígenas foi responsável por várias revoltas. A primeira revolta de grande dimensão ocorreu em 1780 liderada por Tupac Amaru, que pretendia a volta às formas comunitárias da antiga sociedade incaica e que foi sufocada por violenta repressão.
Após a Independência as comunidades indígenas continuaram sofrendo a exploração dos grandes proprietários de terras ou de minas e todos os focos de rebelião eram sistematicamente massacrados. Mesmo assim surgiram cooperativas rurais e sindicatos que tenderam a radicalizar a luta pela terra, comandando invasões e divisões de propriedades no interior.
"Entre 1959 e 62, sob a dinâmica direção de Hugo Blanco, fortaleceu-se consideravelmente a organização sindical. Os camponeses de La Convención e Lares (região de Cuzco) partiram para um tipo de autogoverno. A Federação Camponesa converteu-se em poder político paralelo. Projetou a própria reforma agrária, criou seus serviços de educação e saúde, negligenciados por todos os governantes oligárquicos, e até pôs em prática seu próprio sistema de justiça. Os camponeses casavam e registravam seus filhos na Federação"

A LUTA CAMPONESA

Na década de 60 as lutas camponesas se intensificaram e como a resposta das camadas dominantes fosse a repressão, desenvolveram-se ações guerrilheiras, comandadas por diferentes grupos como o MIR ( Movimento de Izquierda Revolucionária) e o ELN ( Exército de Libertação nacional), além da própria Federação, sob comando de Hugo Blanco. Nas cidades, os trabalhadores eram influenciados pelo APRA (Aliança popular Revolucionária Americana) e pelo Partido Comunista.

A SITUAÇÃO INTERNACIONAL

Se podemos considerar que a Revolução Cubana influenciou os movimentos sociais rurais e urbanos, a política norte americana influenciou a organização político militar das burguesias dos mesmos países. Não é de se estranhar que na década de 60 diversos países da América Latina vivenciaram golpes militares apoiados pelos EUA.

O MILITARISMO NO PERU

no Peru o militarismo teve características bastante peculiares: Assumindo o poder em 1968, o general Juan Velasco Alvarado deu início a uma política caracterizada por um discurso nacionalista e anti imperialista e colocou e marcha a reforma agrária, garantindo a uma parcela dos camponeses o acesso a terra, reivindicação secular da sociedade rural, reformou a legislação social criando condições para a elevação do nível de consumo do país, fato que interessou tanto a burguesia internacional como à incipiente burguesia nacional.
O governo militar ( 1968-75) foi responsável por importantes mudanças, eliminando o poder das oligarquias, transferiu a hegemonia econômica para a burguesia; a sindicalização aumentou, assim como a participação do Estado na economia
No entanto a repressão interna e a crise internacional determinaram o fim do Peruanismo e o regresso de uma política conservadora, pautada pelos interesses internacionais ditados pelo FMI, fato que foi responsável por violenta crise, caracterizada pelo desemprego e miséria. É nesse novo quadro que surgiram os movimentos guerrilheiros do Sendero Luminoso (1980) de tendência Maoísta e o Movimento Revolucionário Tupac Amaru (1984.

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