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Novos conflitos em Jerusalém

INTRODUÇÃO
Os últimos momentos da vida de Mohammed Jamal al Durah foram registrados no dia 30 de setembro de 2000 pelas câmeras de TV em Gaza. Mohammed era um garoto palestino de 12 anos que estava no chão, em pânico, ao lado do pai, buscando proteção enquanto balas do exército de Israel eram covardemente disparadas, até que uma delas o atingiu fatalmente. A imagem cruel e revoltante, certamente ficará como uma das cenas mais dolorosas e dramáticas do século XX.



Os conflitos mais recentes entre judeus e palestinos não são nada positivos para Israel. Durante a Intifada o país perdeu a guerra de propaganda porque a opinião pública não conseguiu aceitar as cenas de crianças árabes se defendendo com pedras do exército invasor. Agora o Estado judeu é acusado de incitar uma luta por lugares sagrados na qual crianças indefesas estão novamente sendo mortas.
Esse novo ciclo de violência por parte de Israel começou no dia 28 de setembro de 2000 com a visita provocativa de Ariel Sharon, líder do conservador Likud (maior partido de oposição) à Esplanada das Mesquitas em Jerusalém, um dos locais mais sagrados do Islã. O veterano general disse que queria mostrar que qualquer cidadão israelense poderia visitar qualquer parte da cidade. A visita mostrou o contrário, já que Sharon só circulou pelo local devido ao forte aparato de sua escolta militar. Com os protestos palestinos contra Sharon veio a reação excessiva e brutal da polícia israelense, que levou à morte de sete palestinos em apenas duas horas, resultando numa reação maciça dos palestinos e num ciclo mais amplo de violência.
Na história mais recente do Oriente Próximo, Sharon, "o carniceiro", é um dos personagens mais odiados pelos árabes, especialmente pelos palestinos e libaneses. Em 1982, durante intervenção israelense no Líbano, Sharon, ministro da defesa, comandou vários massacres no sul desse país e esteve diretamente envolvido na chacina que vitimou 2 mil palestinos nos campos de refugiados de Sabra e Chatila em Beirute.

JERUSALÉM
Jerusalém, em árabe al-Quds (a Santa) abriga os mais sagrados locais religiosos para judeus, cristãos e muçulmanos. Para esses últimos destaca-se o Haram al Sharif (Santuário Nobre), que ao lado das cidades sauditas de Meca e Medina é um dos três locais mais sagrados do islamismo. Chamado também de Templo do Monte ou mais comumente de Esplanada das Mesquitas o local abriga as grandes mesquitas de Al Aqsa e do Domo da Rocha, famosa por sua cúpula dourada. Segundo o Alcorão foi da Esplanada das Mesquitas que o profeta Muhammad subiu ao céu.
Para os judeus, o local não é menos sagrado, pois ali foram construídos os dois grandes templos bíblicos, sendo o Muro das Lamentações parte dos resquícios do Segundo Templo, destruído pelos romanos em 70 d.C. O local é ainda sagrado para o cristianismo, devido sua ligação com Jesus Cristo, proibido de entrar no templo pelos líderes religiosos judeus.
Não é a primeira vez que a Esplanada das Mesquitas é palco de massacres de palestinos por judeus. Em 1990 18 palestinos foram assassinados em distúrbios com policiais israelenses e em 1985 extremistas judeus tinham planos para explodir as mesquitas.
O futuro de Jerusalém é o principal ponto de disputa entre palestinos e israelenses. A questão é vista como o principal motivo do fracasso da cúpula de Camp Davide das tentativas posteriores do processo de paz. Sagrada para judeus, cristãos e muçulmanos, Jerusalém com seus locais religiosos, tornou-se o principal enclave para o êxito do longo processo de paz iniciado com o Acordo de Oslo.



O FRACASSO DA CÚPULA DE CAMP DAVID

Na história da humanidade, poucas regiões adquiriram importância tão grande quanto à Palestina. Principal centro multireligioso do mundo, a região também é estrategicamente vital, sendo ponte de ligação entre Ásia, África e Europa, além de situar-se ao lado dos maiores produtores de petróleo do mundo. Sua mais notória cidade, Jerusalém, (centro sagrado para cristãos, judeus e muçulmanos), se tornou em julho último, o principal obstáculo para a reunião de cúpula realizada em Camp David, a casa de campo da presidência norte-americana, entre o primeiro-ministro israelense Ehud Barak, o presidente da Autoridade Nacional Palestina Yasser Arafat e o presidente Jimmy Carter.
Em 1978 Camp David já tinha sido palco de um outro momento significativo para a história do Oriente Médio, quando pela primeira vez um governante árabe assinava um acordo que reconhecia a existência do Estado de Israel. Este "Camp David 1" contou com o presidente egípcio Anuar Sadat e o premiê israelense Menagem Begin, sendo intermediado pelo presidente norte-americano Bill Clinton. Em troca do reconhecimento de Israel, o Egito restabelecia sua soberania na Península do Sinai. Naquela ocasião o acordo foi repudiado por grande parte do mundo árabe e islâmico. Sadat, acusado de traidor da causa árabe e palestina por realizar uma paz "em separado" com Israel, foi morto num atentado praticado por oposicionistas muçulmanos no Cairo em 1981.
Ao longo das décadas de 1950 e 1980, a relação palestino-israelense esteve dramaticamente reduzida a ações militares e atentados de ambas as partes. Com o Acordo de Oslo em 1993, entre Israel e a Organização para Libertação da Palestina (OLP), uma guerra de meio século parecia ser encerrada com o estabelecimento de uma concreta perspectiva de paz no Oriente Médio. Nessa ocasião, o Estado da Palestina foi praticamente reconhecido pelo primeiro-ministro israelense Ytizhak Rabin, no histórico acordo assinado com Yasser Arafat, líder da OLP. Porém desde aquele ano, todos já sabiam das dificuldades que iriam ser encontradas quando o acordo atingisse questões mais delicadas como a divisão das águas, o retorno dos refugiados palestinos, os assentamentos de colonos judeus e principalmente do futuro de Jerusalém.
Embora o Acordo de Oslo tenha dado alguma autonomia para a Autoridade Nacional Palestina, também comandada por Arafat, a maior parte das terras do futuro país ainda permanece ocupada por Israel. O controle completo dos palestinos sobre suas terras da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, se estende à cerca de 10 cidades, o que representa apenas 5% da já reduzida região.
Destacam-se ainda outra questões pendentes como a divisão dos recursos hídricos na Cisjordânia, os mais de 3,5 milhões de palestinos que Israel rechaça o retorno e a contínua e sistemática expansão dos assentamentos judaicos nos territórios palestinos ocupados. Essa última questão vem frustrando cada vez mais o povo palestino, já que não se cumpre o que é combinado, como o fim dos assentamentos e as retiradas israelenses, prometidas diversas vezes, em vão. A intransigência de Israel associada com a frustração dos palestinos, está fortalecendo os radicalismos e minando um processo que poderia ter avançado bem mais em direção a uma paz duradoura com base no inalienável princípio de autodeterminação e soberania de um povo, que há algumas décadas, já foi o principal objetivo do movimento judaico mundial.

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