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Vietnã-EUA: 25 anos depois

INTRODUÇÃO

A foto da garota Kim Phuc, nua, fugindo de seu povoado que estava sofrendo um bombardeio de napalm, até hoje é lembrada como uma das mais terríveis imagens do século XX. No momento em que a foto foi tirada, em 8 de junho de 1972, a vida de Kim Phuc, então com 9 anos, mudaria para sempre. Hoje, 32 anos depois, Kim é embaixatriz da Boa Vontade da UNESCO.
A Guerra do Vietnã foi uma das maiores tragédias da história do século XX e, sem dúvida, o maior fracasso militar da história dos Estados Unidos, provocando a morte de 58 mil americanos e ferimento em mais de 300 mil. No lado vietnamita, foram mais de 3 milhões de mortos e outros tantos de feridos.



Foi sem dúvidas, uma das guerras mais cruéis do "breve século XX", sendo por muitos analistas, considerada um verdadeiro holocausto, como se pode verificar nas cenas do filme Corações e Mentes. Foi ainda a primeira guerra com cobertura televisiva maciça, o que contribuiu para uma maior mobilização da opinião pública americana contra o conflito

25 ANOS DEPOIS, UMA VISITA HISTÓRICA

Exatamente há vinte cinco anos os Estados Unidos retiravam seus últimos homens do Vietnã.
Nesse ano 2000, pela primeira vez na história após o término da Guerra do Vietnã, um presidente norte-americano visita o país asiático. Bill Clinton, chegou em Hanói no dia 16 de novembro para uma visita de três dias com o objetivo de ajudar a cicatrizar as feridas deixadas pela guerra e estreitar relações de cooperação comercial. Clinton é considerado pelos vietnamitas, o "amigo" que encerrou um embargo comercial em 1994, restabeleceu relações diplomáticas no ano seguinte e firmou um acordo de comércio bilateral.



A viagem prosseguiu no dia 18 quando Clinton visitou a cidade de Ho Chi Minh (antiga Saigon), que era capital do Vietnã do Sul na época da guerra e que foi visitada pelo presidente Richard Nixon em 1969, no auge do conflito. Nessa época, Clinton, que se posicionou contra a guerra, era estudante em Oxford, na Inglaterra e evitou ser enviado ao Vietnã para lutar ao se inscrever num programa de formação de oficiais, do qual desistiu posteriormente.
Apesar de positiva a visita de Clinton não apagou todas as conseqüências da guerra para o Vietnã. Segundo o presidente vietnamita Tran Duc Luong, o povo de seu país acha que o governo norte-americano precisa reconhecer sua enorme responsabilidade no morticínio provocado pelo conflito. Muitos no país, esperavam que Clinton fizesse um pedido de desculpas pela guerra, que matou 3 milhões de vietnamitas e 58 mil norte-americanos. Mas o governo dos Estados Unidos alega que as desculpas poderiam ofender os parentes dos norte-americanos mortos e os milhares de feridos na guerra.
Os Estados Unidos ainda buscam informações sobre 1.498 soldados dados como desaparecidos desde o final da guerra. A busca dos desaparecidos é prioridade do poderoso grupo de ex-combatentes da guerra, ressentidos com Clinton por ele ter militado contra o envolvimento dos Estados Unidos no conflito e ter atuado para evitar seu alistamento.

OS ANTECEDENTES DA GUERRA E A DIVISÃO DO PAÍS

A Indochina, região do Sudeste Asiático, foi submetida ao colonialismo francês em 1887 e transformada em União Indochinesa , representada por três países: Laos, Camboja e Vietnã. O domínio francês se prolongou até a Segunda Guerra Mundial, quando em 1940, após o expansionismo nazista na França, a Indochina foi ocupada pelo Japão.
As atrocidades cometidas pelos japoneses, fortaleceram os movimentos de libertação nacional, no Vietnã, cuja resistência à ocupação estrangeira foi comandada pelo "Vietminh" (Liga Revolucionária para a Independência do Vietnã), fundada em 1941 pelo dirigente comunista Ho Chi-minh. Após a rendição do Japão em 1945, Ho Chi Minh proclamou a independência da República Democrática do Vietnã, com capital em Hanói.



Em 1946, a tentativa francesa de restabelecer o colonialismo na região, provocou a Guerra da Indochina, em que o imperialismo francês enfrentou grupos de guerrilhas no Vietnã e no Laos, culminando com a derrota francesa na Batalha de Dien Bien-phu em 1954. Nesse mesmo ano, a Conferência de Genebra, convocada para negociar a paz na Indochina, reconheceu a independência do Camboja, Laos e Vietnã. Na conjuntura internacional marcada pela "guerra fria", o Vietnã dividiu-se em duas porções a partir do paralelo 17: o norte, socialista representado pela República Democrática Popular do Vietnã, liderada por Ho Chi Minh, com capital em Hanói e o sul, capitalista formado pela República Democrática do Vietnã, comandada por Ngo Dinh-diem, com capital em Saigon. Segundo a Conferência de Genebra, a divisão era temporária e a reunificação do país deveria acontecer em 1956, com a convocação de eleições populares.
A GUERRA
O cancelamento das eleições pelo governo do Vietnã do Sul, desencadeou a Guerra do Vietnã em 1960, ano em que também foi fundada a Frente de Libertação do Vietnã do Sul, da qual germinou o "vietcong", guerrilha comunista apoiada pelo Vietnã do Norte. O regime pro-ocidental do sul, pressionado pelos vietcong, passou a contar com a colaboração de consultores norte-americanos enviados pelo presidente John Kennedy.
Em 1964, alegando que navios americanos tinham sido atacados por lanchas do Vietnã do Norte, o presidente Lyndon Johnson, autorizou a intervenção militar ao país asiático, que no auge da guerra chegou a ter 550 mil soldados combatendo no Vietnã do Sul. Uma nova escalada de guerra iniciou-se em 1965, quando o governo dos Estados Unidos iniciou um bombardeio sistemático sobre o Vietnã do Norte.
Em janeiro de 1968, o Vietnã do Norte e os vietcong, desencadearam a "ofensiva do Tet" (o ano-novo vietnamita) e o presidente Johnson determinou a paralisação dos bombardeios. Importantes cidades do sul foram ocupadas pelos nortistas, que chegaram à periferia da capital Saigon. Vindos de uma guerra de libertação contra a França, os norte-vietnamitas usaram melhor as estratégias de guerrilha aproveitando-se das vantagens geográficas (selva fechada e calor de 40 graus) para derrotar os norte americanos. Esses por sua vez, não mediram esforços e investindo mais de 250 bilhões de dólares, além de terem utilizado material bélico condenado pelas Nações Unidas, como bombas químicas de alto poder destrutivo, destacando-se as desfolhantes como a de "napalm".
O aumento do envolvimento dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã e a morte crescente de milhares de jovens, provocaram uma verdadeira comoção nacional no país, onde a opinião pública liderada pela juventude, manifestava-se ativamente pela retirada dos Estados Unidos do conflito. Na música, as baladas de Bob Dylan e festivais, como o de WOodstok engrossavam o apelo pela paz.
Em campanha eleitoral, o candidato republicano Richard Nixon, prometia "trazer os rapazes de volta", mas eleito presidente, realizou a vietnamização do conflito, que entre 1969 e 1973, combinava a retirada gradual com pesados bombardeios sobre o norte e com intervenções militares no Laos e Camboja (Segunda Guerra da Indochina), visando eliminar as "trilhas Ho Chi Minh", usadas pelos vietcong.
Em 1973, os Acordos de Paris estabeleceram o fim do envolvimento norte-americano na Indochina, oficializando o término da Guerra do Vietnã, com a derrota dos Estados Unidos. No ano seguinte o Khmer Vermelho (comunista), assumia o poder no Camboja através da conquista de Phnom Penh, capital do país.
A luta entre as forças sul-vietnamitas e vietcong continuaram até o dia 30 de abril de 1975 quando os Estados Unidos retiraram seus últimos representanrtes de Saigon, que cairia sob domínio das tropas vietcong. A Guerra do Vietnã chegava ao fim com a conquista de Saigon pelos vietcong e a reunificação do país sob regime comunista, com a denominação de República Socialista do Vietnã.

"RENOVAMOS, MAS NÃO MUDAREMOS DE COR"

A frase acima, do secretário-geral do Partido Comunista do Vietnã, Le Kha Phieu, foi uma resposta àqueles que esperam que a abertura econômica estenda-se à esfera política. Num momento em que a economia de mercado triunfa, o poder político ainda permanece estagnado, nos velhos moldes do socialismo stalinista. Durante a visita de Clinton, uma manchete de jornal em Hanói, dizia que "o Partido Comunista do Vietnã acredita piamente na via socialista". Porém, alguns dias depois, o governo lembrava que era preciso encontrar "estratégias adaptadas" para que as empresas públicas do país deixassem de ser deficitárias. Na verdade, várias já foram privatizadas, como o "palácio da Cultura", que foi transformado num grande mercado, onde os consumidores lutam para conseguir comprar roupas ou produtos de beleza fabricados por empresas de capital misto.
Enquanto a economia é cada vez mais caracterizada por medidas capitalistas, a política vietnamita permanece sendo um dos pilares do poder central, sendo chamada quando começa crescer a disparidade entre os dois mundos que coexistem no país.
China, Vietnã e mais recentemente Cuba.
Nessa virada de século fica a pergunta: Até quando vão conseguir conciliar a rigidez política representada pelo monopartidarismo comunista com uma economia cada vez mais marcada pelo mercado e pela livre iniciativa?

Conheça na íntegra o depoimento da menina da foto em VIETNÃ: 25 ANOS DEPOIS



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