HISTORIANET

História Geral

CHINA: 50 ANOS DA REVOLUÇÃO

No dia primeiro de outubro de 1999 a República Popular da China comemorou 50 anos de existência com uma enorme festa em Pequim para mais de 500 mil convidados, que contou com desfiles militares, apresentações folclóricas e queima de fogos. O presidente Jiang Zemin e os principais dirigentes do Partido Comunista, assistiram as comemorações na Praça da Paz Celestial, onde em 1989 o exército reprimiu com armas de fogo manifestações estudantis pela democracia, resultando em centenas de mortos e feridos.

Foi nesta mesma praça, que Mao Tsé-Tung proclamou o nascimento da República Popular da China no dia primeiro de outubro de 1949, após décadas de imperialismo japonês e de uma sangrenta guerra civil entre nacionalistas e comunistas, que deixou um saldo de 40 milhões de mortos.

Os avanços sociais nas áreas de ensino e saúde e a unificação de um vasto território com cerca de um bilhão e duzentos mil habitantes ( de longe o país mais populoso do mundo, abrigando 23% da população do planeta), que durante cinco milênios de história viveu fragmentado e dominado por inimigos estrangeiros, foram os maiores legados do Grande Timoneiro (como Mao era chamado).

O sonho de uma sociedade igualitária com produção comunitária foi um desastre no final da década de 1950, levando fome e doenças para mais de trinta milhões de chineses. Esse cenário irá contribuir para uma outra revolução, liderada por Deng Xiaoping, que sucedeu a Mao nos anos 70, iniciando uma nova etapa no singular socialismo chinês, que muito tempo antes da derrocada socialista no leste europeu e na ex-URSS, convive com uma economia de mercado tipicamente capitalista.

A) DAS DINASTIAS MEDIEVAIS AO IMPERIALISMO

Várias dinastias imperiais governaram a China, que desde 221 a. C. é unificada e desmembrada, até a intervenção das grandes potências ocidentais em meados do século XIX, no contexto do neocolonialismo.

Na Guerra do Ópio (1840-42), desencadeada pelo ocidente, quando o governo chinês decidiu proibir o contrabando desse alucinógeno dominado principalmente pelos ingleses, a China derrotada, perdeu sua soberania sobre vários portos, destacando-se Hong-Kong, Xangai e Nanquim. O país foi então repartido em zonas de influência: o norte ficou com os russos, o Shandong com os alemães, o vale do Yangzi com os ingleses e o sudoeste (limítrofe com a Indochina) com os franceses.
Destaca-se ainda a derrota militar para o Japão (1894-1895) que passou a controlar Taiwan e Liaodong, radicalizando o nacionalismo chinês, que criou uma associação secreta (Sociedade dos Boxers), responsável por uma série de atentados contra estrangeiros residentes na China. As nações imperialistas reagiram se unindo militarmente, desencadeando a Guerra dos Boxers na passagem para o século XX, depois da qual a China ficou totalmente dominada pelas potências ocidentais.



Pequim em 1900, ano da Guerra dos Boxers



B) DA PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA AO SOCIALISMO


Neste contexto, marcado pelo imperialismo, surgiu em 1905, o Kuomintang (Partido Popular Nacional), liderado por Sun Yat-Sem, que pretendia desenvolver a China através de transformações sócio-econômicas, liderando a proclamação da república na sublevação do Duplo Dez (dia 10 do mês 10) de 1911.

O novo regime não conseguiu conter o clima de instabilidade e em maio de 1919 ocorrem várias manifestações estudantis combinadas com um boicote às mercadorias japonesas. As idéias marxistas penetraram na China e em 1921 era fundado o Partido Comunista Chinês.

No sul os comunistas e os nacionalistas do Kuomintang uniram-se contra o domínio estrangeiro, até a morte de Sun Yat-Sem (1925), quando Chiang Kai Chek tornou-se chefe militar do Kuominyang, rompendo com os comunistas em 1927. O Partido Comunista tornou-se clandestino e grande parte de seus membros seguiu Mao Zedong (Mao Tsé-Tung) para o campo. Em 1931 os comunistas fundaram a República Soviética Chinesa no sudeste da China com 10 milhões de habitantes. Destruída a República, os comunistas se retiraram para o norte na Longa Marcha dirigida por Mao entre 1934 e 1935.

Com a ocupação da Manchúria pelo Japão comunistas e nacionalistas se uniram novamente. Essa reunificação manteve-se durante a II guerra mundial, beneficiando fortemente os comunistas que com o término do conflito estenderam seu domínio em grande parte do território chinês. Após três anos de guerra civil, os nacionalistas de Chiang Kai-Chek recuaram para Taiwan (ilha de Formosa) e os comunistas liderados por Mao Tsé-Tung fundaram a República Popular da China em 1949.



Mao tsé Tung



C) A REPÚBLICA POPULAR DA CHINA E A REVOLUÇÃO CULTURAL

Para consolidar o Estado socialista, o novo regime chinês assume como principal tarefa revolucionária o combate ao imperialismo e ao latifúndio. A reforma agrária iniciava-se, porém, sem a coletivização das terras. Cada camponês tornava-se proprietário de uma pequena parcela.

Com auxílio soviético foi implantado o primeiro plano quinquenal, priorizando a indústria pesada. Em 1958 foi adotada a política do "Grande Salto Adiante" que abandonou os planos quinquenais, estimulando o desenvolvimento agrícola. Foram criadas as comunas populares e o campo foi coletivizado. Porém, a nova política não produziu os resultados esperados e gerou fome, deixando cerca de 30 milhões de mortos.

A partir de 1959, dirigentes favoráveis a uma política econômica mais ortodoxa liderados pelo presidente da República Liu Shaoqi passaram a disputar o poder com Mao Tsé-Tung, que lança em 1966 a "Grande Revolução Cultural Proletária", mais conhecida como "Revolução Cultural", para combater o revisionismo, expurgando o Partido Comunista de seus adversários. Apoiado pelo ministro da Defesa Lin Biao, pelo exército e pela juventude urbana ("Guarda Vermelha"), Mao combateu a política econômica pragmática, baseada em incentivos materiais e individuais. Com a deposição da corrente direitista liderada por Liu Shaoqi, Mao achou por bem interromper o processo da Revolução Cultural, antes que ela se radicalizasse demais. Tal medida provocou o descontentamento de líderes mais sectários do partido como Lin Biao, que morreu num acidente de avião em 1971, num fato mal esclarecido pelas autoridades chinesas, diminuindo, desde então, a influência dos militares na vida política do país.

No Partido Comunista, o poder passou a ser disputado pela corrente dos centristas liderada por Zhu Enlai e pelo vice-primeiro-ministro Deng Xiaoping e a dos radicais liderada por Jiang Qing, esposa de Mao e pelo grupo de Xangai, conhecido mais tarde como "Bando dos Quatro".

D) DENG XIAOPING: "ECONOMIA SOCIALISTA DE MERCADO"

As relações diplomáticas da China com o mundo ocidental normalizaram-se na década de 1970, principalmente após 1972, quando o presidente norte-americano Richard Nixon visitou a China. No ano anterior, a República Popular da China já tinha sido reconhecida pela ONU enquanto Taiwan era excluída da organização.

Com a morte de Zhu Enlai em janeiro de 1976, inicia-se uma nova crise política com manifestações populares a favor de Deng Xiaoping e Hua Guofeng, que tornou-se primeiro ministro. Em 9 de setembro desse mesmo ano morria Mao Tsé-Tung e imediatamente Hua Guofeng inicia uma forte campanha contra os radicais, culminando com a prisão do "Bando dos Quatro".

Os novos dirigentes iniciam a política das "Quatro Modernizações" (indústria, agricultura, defesa e ciência e tecnologia), ao mesmo tempo em que a figura de Deng Xiaoping era reabilitada. Hua Guofeng foi substituído por Zhao Ziyang no governo e por Hu Yaobang na direção do partido. Iniciava-se um processo de reformas econômicas com o abandono das comunas populares, abertura para o exterior e autorização para formação de pequenas empresas particulares. A abertura econômica veio acompanhada de um grande movimento popular em nome da democracia. Durante o primeiro semestre de 1989 cresciam os protestos estudantis e em junho o exército fortemente armado com tanques, avançou sobre a multidão reunida na Praça da Paz Celestial ("Primavera de Pequim"), matando e ferindo centenas de pessoas.



Praça da Paz



E) ÀS VÉSPERAS DO NOVO MILÊNIO

Com a morte de Deng Xiaoping em 1997, Jiang Zemin se fortalece como líder dos comunistas. A China neste final de século é um país com uma profunda crise de identidade, pois em meio as transformações econômicas, o Partido Comunista permanece comandando uma rígida ditadura, amparada pelo Exército de Libertação Popular (braço armado do comunismo chinês fundado em 1927), contando atualmente com 2,8 milhões de soldados.

O que se questiona nesses 50 anos de revolução, é se a crescente abertura econômica não resultará em mudanças democráticas. O atual presidente Jiang Zemin manteve as reformas iniciadas por Deng Xiaoping, mas enfrenta sérios problemas, como as manifestações pela democracia, os constantes escândalos de corrupção envolvendo dirigentes do partido, além das diferenças cada vez maiores entre as zonas econômicas especiais, centros urbanos de comércio e indústria, onde surgiram os primeiros chineses milionários, e as áreas rurais, ainda mergulhadas no atraso e pobreza.

A reintegração de territórios está ocorrendo até o momento, através de um processo de negociações diplomáticas, destacando-se a devolução de Hong Kong pela Grã-Bretanha em julho de 1997, devendo prosseguir com Macau, colônia portuguesa desde 1557, em dezembro de 1999. Nesse último ponto de presença européia no sudeste asiático, Portugal terá o direito de manter influências liberais durante um período transitório de 50 anos. O restabelecimento chinês sobre essas regiões tem por base a teoria de Deng Xiaoping: "Um só país, dois sistemas", ou seja, uma só China majoritariamente socialista.

Apesar de não ser tão carismático como seus antecessores, Jiang Zemin vem conseguindo garantir a estabilidade. Organizações de defesa de direitos humanos denunciam milhares de dissidentes, acusados de "ameaçar a segurança do Estado" e de "espionagem". Como se vê, a estabilidade política do país é garantida com um forte aparato repressivo, acompanhado do monopartidarismo e de uma rígida censura, resquícios do velho stalinismo, ainda não resolvidos pelo socialismo.

Pesquisar em
1123 conteúdos

Livros

PROMOÇÃO

o HISTORIANET e a Editora M Books do Brasil sorteiam o livro...

Notícias

Guerra e Paz

Exposição relativa à obra de Portinari exposta no Memorial da América Latina

Notícias

Exposição no Rio de Janeiro

Modigliani - Imagens de uma vida; no Museu Nacional de Belas Artes

Notícias

Fórum Mundial de Educação

Evento que se realizará em Florianópolis já tem mais de 9 mil inscritos

COPYRIGHT © HISTÓRIANET INTERNETWORKS LTDA

PRODUZIDO POR

SOBRE O HISTORIANET