Atualidades

Plano Colômbia: mais uma do imperialismo norte-americano

Entre os dias 18 e 19 de outubro de 2000 realizou-se em Manaus a Conferência Ministerial de Defesa das Américas, oportunidade em que o vice-ministro de Defesa dos Estados Unidos, James Bodner, declarou muito à vontade que "...o Plano Colômbia será executado com ou sem solidariedade internacional". O chamado Plano Colômbia é a intervenção dos Estados Unidos na Colômbia, com o pretexto de combater o narcotráfico no continente, sendo que a declaração do vice-ministro reflete a situação cada vez mais cômoda do imperialismo norte-americano, sobre um dos países mais ricos em reservas naturais da Amazônia.



O mapa acima foi tirado da enciclopédia Larousse Cultural


Nesse caso, mais uma vez ficou absolutamente clara a posição dos Estados Unidos, como potência mundial hegemônica neste final de século. O contraste entre a prepotência da declaração e a reação, no mínimo de conivência, por parte do representante do país sede da Conferência, foi mais uma vez humilhante para a América Latina e especialmente para o Brasil. Nosso ministro da Defesa, Geraldo Quintão externou seu ponto de vista da seguinte maneira: "Bodner não foi lógico. Cada um fala de acordo com uma série de contingentes que formam a sua personalidade. Algumas pessoas são mais brandas ao falar, outras são mais suaves, outras são mais lógicas. Eu procuro ser mais lógico e racional".
Meu caro ministro, não se trata aqui, de ser ou não lógico, e sim de assumir uma postura contrária frente a uma declaração, que se levada a cabo, violará o tão sagrado direito de soberania das nações, considerado um dos direitos inalienáveis, pelas Nações Unidas.
O que fica lógico, é que, exceção feita a alguns momentos de lampejos de enfrentamento, a política externa brasileira permanece subserviente ao poder maior, da nação que há um século, se alimenta das "veias abertas da América Latina".


As operações militares do Plano Colômbia, de fato, começaram em outubro de 2000, quando o exército realizou um ataque em grande escala em Putumayo, no sul do país, na região mais rica em petróleo, localizada na fronteira com o Equador, com a desculpa de combater um foco da guerrilha supostamente ligado narcotráfico.
É preciso que fique claro, que o interesse dos Estados Unidos não se restringe ao petróleo. A biodiversidade da Amazônia colombiana só perde para o Brasil, sendo que somente seus recursos hídricos já bastariam para atrair os Estados Unidos. Essa questão, torna-se ainda mais delicada, principalmente se levarmos em conta que a água doce, cada vez mais escassa, já é considerada uma questão chave para o século XXI, tendo nos Estados Unidos seu principal consumidor mundial.
A questão crucial do Plano Colômbia é o combate aos grupos de guerrilha, não pela ligação desses com o tráfico e sim, pela capacidade de mobilizar a população mais pobre, de origem indígena, contra o imperialismo norte-americano. Cerca de 40% da Colômbia é controlada por grupos guerrilheiros, destacando-se as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), com 15 mil integrantes, e o Exército de Libertação Nacional (ELN) com 6 mil.
A guerrilha colombiana, que a história oficial relaciona com o narcotráfico, originou-se no seio do movimento popular-indígena na guerra civil que ocorrida no país no final dos anos 40, entre o Partido Conservador e o Partido Liberal. Ambos cresceram politicamente representando a burguesia, sendo que o primeiro esteve ligado à oligarquia rural e o segundo aos setores mais relacionados com um projeto econômico urbano-modernizador para o desenvolvimento nacional. A luta iniciou-se em 1948 após o assassinato do liberal Jorge Eliécer Gaitán, que através de práticas populistas, contava com apoio de operários e camponeses, que revoltados com o fato, iniciaram uma série de manifestações em todo país. Essa revolta, ocorrida no início da Guerra Fria, foi vista pelos Estados Unidos como uma ameaça ao capitalismo. Com apoio norte-americano, os conservadores colombianos iniciaram um período de repressão conhecido como La Violência, em que morreu cerca de 200 mil pessoas entre 1948 e 1953. Economicamente, essa fase foi acompanhada por uma maior concentração de renda, que agravou ainda mais a desigualdade social, contribuindo para o fortalecimento da resistência popular-armada com a formação das Farc e do ELN em 1964, sob influência do socialismo cubano.
Sem conseguir controlar a guerrilha, o então presidente Julio César Turbay Ayala, apoiado pelos Estados Unidos autorizou a formação de grupos paramilitares, conhecidos como "esquadrões da morte", para combater a guerrilha. Treinados nos Estados Unidos e patrocinados pelos latifundiários e pelos "barões da droga", esses grupos, como a Autodefesas Unidas Colombianas (AUC), praticaram inúmeros crimes, vitimando políticos de oposição, sindicalistas e a população rural suspeita de apoiar a guerrilha. Esse último segmento formado principalmente por indígenas, é o que mais vem sofrendo com a ação dos "esquadrões da morte". Ameaçados, cerca de 12 milhões de camponeses já abandonaram suas terras nos últimos 15 anos, que foram facilmente ocupadas por fazendeiros narcotraficantes.
O êxodo rural empobreceu os centros urbanos, onde muitos camponeses desprovidos de emprego passaram a integrar a guerrilha, que paga inicialmente 400 reais mensais - o dobro do salário mínimo colombiano. O dinheiro que mantém a guerrilha é obtido pelo "imposto" cobrado aos traficantes que atuam em territórios controlados pelas Farc e pelo ELN. Na última década do século XX a violência no país foi responsável pelo=a morte e desaparecimento de 70 mil pessoas, sendo mais da metade composta pela população civil, destacando-se trabalhadores, intelectuais e sindicalistas.



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