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Brava Gente Brasileira

TÍTULO DO FILME: BRAVA GENTE BRASILEIRA (Brasil, 2000)
DIREÇÃO: Lúcia Murat
ELENCO: Diogo Infante, Floriano Peixoto e Luciana Rigueira

RESUMO

A ficção passa-se no atual Mato Grosso do Sul, quando no final do século XVIII, um grupo de portugueses designados para fazer um levantamento topográfico na região do Pantanal se envolve com estupro de índias da tribo kadiwéus, um ramo dos guaicurus.
No filme, a diretora focaliza o conflito cultural entre brancos (colonizadores) e nativos (colonizados), tendo como tema principal a dificuldade de compreensão cultural, retratada na relação entre a personagem do ator português Diogo Infante, um libertário apaixonado pelo que vai conhecendo dos índios, e a amada prisioneira. Uma das principais e terríveis cenas do filme é a do estupro e massacre de um grupo de mulheres guaicurus, quando brincavam e mergulhavam durante um banho.
A pintura de corpo dos kadiwéus, que tanto impressionou Lévi-Strauss, com sua complexidade e simetria, é bem destacada no filme, quando o personagem português Diogo de Castro e Albuquerque, iluminista influenciado por Rousseau, escreve um livro, ilustrado com as pinturas.
Por sua qualidade, apesar de recente, o filme já está sendo considerado um épico, onde os índios aparecem em toda sua grandeza, conseguindo emocionar, ao mesmo tempo em que mantém o suspense, com atores, cenários, paisagens, fotografia e música de alta qualidade.

CONTEXTO HISTÓRICO

Desde o final do século XVII, a economia da colônia estava voltada para atividades minerais, o que impulsionou a interiorização da colonização portuguesa, até então limitada ao litoral açucareiro. Ao atingir as regiões de Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais, a colonização acabou ganhando nova vida, apesar de grande parte do ouro brasileiro ter ido parar em cofres britânicos.
Um século depois, o Brasil e a América já estavam vivendo a crise do Antigo Sistema Colonial, que integrou o contexto de transição para Idade Contemporânea, marcado pelo iluminismo, pelo liberalismo econômico e pelas revoluções industrial, americana e francesa. Foi nessa realidade, que os ideais iluministas penetraram na América, influenciando de forma decisiva a independência dos Estados Unidos e posteriormente outros movimentos de emancipação, destacando-se no Brasil, as conjurações mineira (1789) e baiana (1798).
Nesse contexto de transformações, os portugueses conheceram novas tribos de nativos, como a dos kadiwéus, protagonistas do filme. Descendentes dos guaicurus os kadiwéus eram exímios cavaleiros, destacando-se também pelo comportamento senhorial. A estratificação social conheceu características bem próximas da instituição do escravismo, embora tratassem melhor os escravos do que os europeus. No topo da hierarquia social encontravam-se os senhores, chamados de capitães e suas mulheres, chamadas de donas, seguindo-se os soldados e escravos, que se dedicavam ao trabalho agrícola e serviçal.
A relação dramática e violenta entre brancos e índios kadiwéus serve para retratar o que os europeus e depois o Brasil, fizeram com os povos indígenas em geral.

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