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Rebeliões e conspirações em 1925 e 1926

Texto de José Augusto Drummond, in
A COLUNA PRESTES, rebeldes errantes, Ed. Brasiliense, Coleção "Tudo é História"

Enquanto a Coluna Prestes cortava o interior do Brasil, vários movimentos armados - quase todos militares - foram planejados e / ou executados sob o
signo das rebeliões de 1922 e 1924. Isso foi, conforme disse, o seu principal objetivo a partir de abril de 1925. Mas apenas três desses episódios envolveram militares com intenção de adesão. Vou listar todos
esses movimentos, com breves comentários, em ordem cronológica.

l. Fins de dezembro de1924, no Rio Grande do Sul: logo depois que a Divisão Rio Grande partiu do Nordeste do Rio Grande do Sul, alguns caudilhos libertadores promoveram ações armadas mais ao sul do estado, aproveitando-se do clima ainda agitado na região. Não verifiquei a participação de oficiais ou tropas do Exército; é quase certo que não havia sequer contato entre esses caudilhos e os rebeldes mais ao norte na Divisão Rio Grande e na Coluna Paulista.

2. Fevereiro de 1925, em São Paulo (SP): rebelião frustrada de civis e militares da Força Pública envolvidos na revolta de julho de 1924, na tentativa de libertar companheiros presos. Nesse momento, a Divisão Rio Grande cruzava Santa Catarina e a Coluna Paulista estava cercada no oeste do Paraná. Não houve ligação efetiva entre esses conspiradores de São Paulo e os rebeldes em armas.

3. Abril de1925, em Corumbá (Mato Grosso): Quando ocorria a cisão entre os tenentes no oeste do Paraná, houve uma rebelião de sargentos do Exército no 17° Batalhão de Caçadores. Não consegui maiores detalhes, mas é altamente improvável que esse movimento tenha tido ligação com o tenentismo, pois os tenentes nunca abriram mão de comandar pessoalmente as sublevações de quartéis do Exército. A rebelião foi abortada e um dos sargentos fuzilado.

4. 2 de maio de 1925, no Rio de Janeiro (Distrito Federal): o quartel do 3° Regimento de Infantaria, na praia Vermelha, foi alvo de um mal articulado ataque comandado por jovens oficiais com participação rebelde anterior; morreu o tenente rebelde do Exército Luís Venâncio Jansen de Mello. O ataque foi planejado por um pequeno grupo de conspiradores militares na clandestinidade desde 1924 e que se manteriam ativos até 1926: Leopoldo Nery da Fonseca, Carlos Saldanha da Gama Chevalier, Delso Mendes da Fonseca, Carlos da Costa Leite e outros.
Totalmente isolados do Exército, eram perseguidos pela Polícia Federal, transitando entre prisões e fugas. Na ocasião do ataque de 2 de maio, a Coluna Prestes estava reingressando em território brasileiro, no sul de Mato Grosso.

5. 31 de maio de 1925, em São Paulo (SP): outra rebelião de civis e militares da Força Pública veteranos de julho de 1924; teve repercussões no interior do estado. Em Barretos chegou a se formar uma pequena coluna armada sob a liderança de um fazendeiro, Filogônio de Carvalho. O movimento se dizia sob o comando de Isidoro Dias Lopes, que a esta altura estava exilado em Paso de los Libres (Argentina). A Coluna estava em Mato Grosso, mas no rumo do Nordeste (ou seja, afastando-se de São Paulo). Em julho, o derrotado Filogônio de Carvalho, sozinho, se juntou à Coluna em Goiás.

6. Fins de1925, no Ceará: policiais do Ceará e do governo federal desarticularam uma conspiração civil na qual participava Manoel Tàvora, irmão mais velho de Juarez. A Coluna transitava entre o Maranhão e o Piauí.

7. 19 de janeirode1926, em Aracaju (SE): tenente Augusto Maynard Gomes, veterano das revoltas de 1922 (DF) e1924 (SE), preso cumprindo pena pela rebelião de 1924, conseguiu comandar nova revolta no 28° Batalhão de Caçadores, rapidamente dominada pelas forças legalistas. Chegou a ser atacado o palácio do governador do estado, A Coluna, que transitava entre o Piauí e o Ceará nesse momento, foi um estímulo à rebelião. Oficiais, sargentos e praças envolvidos foram enviados, em fevereiro de 1926, por ordens do governo federal, para a ilha da Trindade. Mais tarde chegariam ai Juarez Távora, Eduardo Gomes e dezenas de outros tenentes presos considerados mais perigosos. Esse "degredo" só terminou no governo de Washington Luís; foi um forma radical de isolar os rebeldes presos da possibilidade de fugas e conspirações.

8. 5 de fevereiro de1926, na Paraíba: na atual João Pessoa, oficiais com participação rebelde anterior, liderados pelos tenentes do Exército Aristóteles de Souza Dantas e Lourival Seroa da Mota, foram presos quando articulavam uma conspiração para levantar as tropas federais ali estacionadas. A intenção era aderir à Coluna, que nesse momento passava pela Paraíba. Um desertor civil da Coluna tinha avisado as autoridades federais e estaduais da iminência dos levantes em várias capitais nordestinas, o que facilitou a prisão desses conspiradores; o fato foi noticiado nos jornais do estado e logo sabido pela Coluna.



9. 18 de fevereiro de 1926, em Jaboatão (PE): O tenente foragido Cleto da Costa Campello e o suboficial da Marinha de Guerra Waldemar Lima (que deixara a Coluna em Goiás para articular revoltas em diversos pontos do pais) comandaram um ataque armado ao posto policial da cidade de Jaboatão, entroncamento ferroviário na periferia de Recife. Esse ato, não muito caracteristicamente tenentista, foi a opção que restou a Cleto ao perceber que sua conspiração militar fora denunciada pelo mesmo desertor
civil da Coluna (inviabilizando um levante da tropa federal de Recife). Cleto e Waldemar, com poucas dezenas de civis armados - entre os quais havia operários comunistas militantes -, assumiram o controle de um trem de carga em Jaboatão e rumaram para o interior de Pernambuco, para tentarem se juntar à Coluna, que nesse instante estava na cidade
pernambucana de Triunfo, conforme combinado com Cleto. Em Gravatá, Cleto morreu no ataque a um destacamento policial; poucos dias depois tropas da Polícia Militar de Alagoas liqüidaram Waldemar e o restante do grupo rebelde. A Coluna só ficou sabendo desses fatos algumas semanas mais tarde, na Bahia.

10. Novembro de1926 a janeiro de1927, no Rio Grande do Sul: um ano e meio depois da cisão entre os tenentes no oeste do Paraná, o grupo tenentista no exílio, associado novamente a chefes civis libertadores gaúchos (Honório de Lemes, Leonel Rocha, Fidêncio de Melo, etc.), finalmente conseguiu produzir uma ação concreta: uma série de invasões de grupos civis armados em coordenação com alguns poucos levantes militares. Em Santa Maria, os irmãos Nelson e Alcides Etchegoyen, oficiais do Exército, comandaram a rebelião de um dos diversos quartéis da cidade e formaram uma coluna armada que, isolada, buscou contato com os rebeldes invasores junto à fronteira argentina. Denominado "Coluna Relâmpago", esse episódio mostrou de novo as dificuldades na cooperação entre chefes libertadores civis e oficiais rebeldes do Exército, principalmente no que tocava ao comando militar dos grupos civis, do qual os chefes libertadores não queriam abrir mão. O episódio não teve maiores repercussões locais e em nada ajudou Coluna, que estava em Mato Grosso adiando a sua já decidida emigração, à espera do fim do governo Bernardes.

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