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Caçando ratos

A Prefeitura de Nova Iguaçu (RJ) adotou um programa peculiar para combater a proliferação dos ratos na cidade: decidiu pagar a população para caçar os roedores. R$ 5,00 o quilo. Na História do Brasil, não é uma novidade.
No governo Campos Salles (1898 1902) foi criado o Instituto de Manguinhos, com a função de fabricar vacinas contra a peste bubônica. Para dirigi-lo, a prefeitura da capital federal oficiou ao Instituto Pasteur, de Paris, solicitando a indicação de um especialista. Esperava-se naturalmente um francês, mas o célebre Emile Roux, diretor do Pasteur, respondeu indicando o nome de um "brilhante discípulo seu": Oswaldo Gonçalves Cruz, paulista de São Luís do Paraitinga. Mesmo não tendo alcançado os 30 anos e completamente desconhecido no Brasil, Oswaldo Cruz já granjeara uma sólida reputação científica. Dirigiu Manguinhos até 1902, quando Rodrigues Alves foi busca-lo para sanear o Rio de janeiro. Aceitando o convite, o incansável Oswaldo Cruz prometeu erradicar a febre amarela em um período de três anos.



Oswaldo Cruz


Mas primeiro atacou outro ponto: a peste. Para combate-la, criou um esquadrão de cinqüenta homens devidamente vacinados, que percorriam armazéns, becos, cortiços e hospedarias, espalhando raticida e mandando remover o lixo. Para completar criou um novo cargo, o de comprador de ratos. Este funcionário percorria as ruas da cidade, do centro e dos subúrbios, pagando 300 réis por rato apanhado pela população. Assim a curto prazo desapareceram os ratos e as epidemias.
Na verdade, a eliminação dos ratos e da peste, insere-se num contexto de transformações que envolveram a capital do Brasil durante o início do século XX.



Charge sobre a política de Oswaldo Cruz


Veja essa descrição sobre o Rio de Janeiro:

"Em 1900, a cidade ainda guarda o cunho desolador dos velhos tempos do rei, dos vice-reis e da; governadores", com ruas estreitas, vielas sujíssimas, becos onde se avoluma o lixo. O novo regime não teve ainda tempo para modernizar o Rio. Mesmo as artérias principais (Ouvidor, Ourives, Uruguaiana. Gonçalves Dias, 1.° de Março) são muita pouco espaçosas. E as outras ruas, mais distantes do centro, como as que cercam o largo da Misericórdia, não passam de vielas
curvas e malcheirosas.

Nas praças mais amplas, quase não existem árvores, permitindo que o sol torne abrasador o calçamento de paralelepípedos e os passeios de lajes altas. Pavimento e calçada apresentam-se esburacados.
Dentro das sobrados centenários, remanescentes ou cópias dos tempos coloniais, as senzalas do rés-do-chão se transformam em bares, lojas e oficinas. Sem esgoto e sem janelas nos quartos, os outros andares dos sobrados do centro da cidade são um "dédalo de
corredores e alcovas". (Luiz Edmundo - jornalista)

"Por ruas de muito movimento, que ligam bairros, esticando-se para as Laranjeiras ou São Cristóvão, um par de trilhos cruza o calçamento. São os bondinhos. Alguns são elétricos, que desde 1892 fazem a linha entre o Flamengo e a Carioca: a imprensa afirma: os "nossos elétricos, que, sem o menor favor, são os melhores do mundo..." Mas a maioria dos veículos, chacoalhando ferragens, velhos e incômodos, ainda é puxada pelo tradicional par de burrinhos.
Afora os bondes, o tráfego da cidade constitui-se de raros caleches e charretes, e mais freqüentes carroças puxadas por um ou dois cavalos. Mais comuns ainda são os carros puxados por braços humanos. As ruas estão cheias de vendedores; alguns puxam pela calçada carroças, com mercadorias: são os "burros-sem-rabo". Nas carroças, no lombo dos animais, nas costas ou nos braços, homens e mulheres, antigos escravos, imigrante; portugueses, alemães, turcos vão trazendo suas mercadorias. Passa o leiteiro conduzindo atrás de si uma vaca tuberculosa e um bezerro faminto. e o vendedor de aves, as galinhas presas em cestos atados a um burro: cabo de vassoura às costas para equilibrar a carga, vêm o cesteiro, o ceboleiro. o papeleiro, o verdureiro; um oferece mocotó, o outro doces; um negro traz carvão, ou sorvete; as mulheres vendem doces ou miudezas. A cidade é uma imensa feira."



O Rio de Janeiro no início do século XX


Francisco de Paula Rodrigues Alves, antigo conselheiro do Império e poderoso cafeicultor paulista, foi eleito presidente a assumiu em 1902. Seu período de governo ficaria conhecido como o "Quadriênio Progressista". Se por um lado existe a influência da noção de progresso oriunda do positivismo, por outro, mostra a preocupação dos governantes em abrir as portas do país para os investimentos estrangeiros, principalmente em setores financeiros e de serviços, que poderiam, direta ou indiretamente, beneficiar a produção e exportação de café. No discurso de posse, Rodrigues Alves destacou o "amparo a produção, estímulo à imigração e ocupação dos solos férteis, incremento dos transportes e proteção à entrada de capitais (...) aos interesses da imigração, dos quais depende em máxima parte o nosso desenvolvimento econômico, prende-se a necessidade de saneamento desta capital, trabalho sem dúvida difícil porque se filia a um conjunto de providências, a maior parte das quais de execução dispendiosa e demorada."
O novo presidente assumiu em novembro de 1902 e contou com o fato de as finanças estarem relativamente equilibradas (graças a política de "saneamento financeiro" adotada por Campos Salles). Desde dezembro preocupou-se com o saneamento do Rio de Janeiro. Em janeiro de 1903 Pereira Passos foi nomeado como prefeito do Rio de Janeiro, e em março era a vez de Oswaldo Cruz assumir a Saúde Pública.

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