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Intifada faz três anos

Intifada faz 3 anos: 2.612 palestinos e 822 israelenses mortos. A Segunda Intifada completou seu terceiro aniversário em um momento crítico para o conflito do Oriente Médio. Depois de 36 meses de rebelião palestina -- dos quais 31 sob o governo Ariel Sharon --, o número de mortos sobe a 3.497, dos quais 2.612 palestino e 822 israelenses, segundo um levantamento da agência France Presse. O número de feridos é mais difícil de estabelecer: seriam mais de 20 mil palestinos e de 5 mil israelenses.

O desalento de Annan

Na sexta-feira passada, uma reunião do "Quarteto" (EUA, União Européia, Rússia e ONU), fiador do "Mapa do Caminho" lançado pelo presidente George W. Bush no dia 4 de junho durou apenas uma hora. E contentou-se em expressar o desejo de que o "Mapa" tenha uma "aplicação rápida".
Mesmo o sempre ultracauteloso Kofi Annan, secretário-geral da ONU, não escondeu sua irritação com esse resultado. "Medidas audaciosas na linha do 'Mapa do Caminho' parecem necessárias atualmente. Os pequenos passos não funcionaram. E é pouco provável que funcionem no futuro", comentou Annan.

Em Israel, situação paradoxal

Dentro de Israel, Sharon e seu governo de direita conservam ainda uma assombrosa popularidade.
É uma situação paradoxal. Uma pesquisa divulgada sexta-feira pelo jornal Yediot Aharonot mostre que a situação é "desesperadora" para 43% dos israelenses, "nem desesperadora nem encorajadora" para 39% e "encorajadora" para apenas 18%. E apesar de 73% considerarem que o Estado "não oferece um futuro garantido para a nova geração".
Mas, no entanto, os 27 pilotos da Aeronáutica que fizeram uma petição pública pelo fim dos ataques aéreos, por colocarem em risco a população civil palestina, viram-se cercados por um muro de ataques. Nas eleições de janeiro passado, Sharon ampliou sua maioria parlamentar.
Entre outras causas desse reacionarismo renitente e crescente, avulta a aliança das forças de ultra-direita de Israel e dos EUA. Não por acaso coincidem no tempo os reinados de Ariel Sharon e George W. Bush.

A agressão econômica

Talvez não menos mortífera que o conflito armado é a asfixia crescente que os territórios palestinos sofrem: no primeiro ano da Intifada, a economia local recuou 5,4%; no segundo, 15,0% e no terceiro 14,5%. Os efeitos colaterais do conflito contribuíram para isso, mas a causa principal é o bloqueio praticado pelo governo Sharon, que impede o intercâmbio de bens e pessoas, não só com Israel, mas também entre a faixa de Gaza e a Cisjordânia, e até entre diferentes localidades dentro da Cisjordânia.
O desemprego atinge 30% nos territórios ocupados, com seu pico em certas partes da faixa de Gaza. Mais de 56% das famílias palestinas viram suas rendas caírem pela metade, ou mais, em relação a 1999. Mais da metade dos palestinos vive abaixo do limite de pobreza, com menos de dois dólares por dia.

Resistência heróica

Estes números explicam o porquê do prosseguimento da Intifada, 36 meses depois da provocação de 28 de setembro de 2000 na Esplanada das Mesquitas. E das sólidas bases que possui na população palestina, enquanto a agressão israelense se isola sempre mais na opinião pública mundial.
Pode-se, talvez, questionar algumas das formas que a sublevação palestina assume, em especial as que escolhem como alvo a população civil israelense. Mas não há como não respeitar, admirar e apoiar o heroísmo dos jovens e das crianças que enfrentam os tanques de Israel de estilingue em punho. Não há como não reverenciar a coragem de Iasser Arafat, cercado há 21 meses nos escombros de um prédio de Ramallah, ameaçado de banimento e assassinato, que responde "Somos todos mártires".

Privado de sua terra, humilhado, ofendido, ensangüentado, o povo-mártir da Palestina se agiganta por suas reservas de coragem e esperança, que nenhum crime do ocupante é capaz de dobrar. Elas são a garantia de que, mais dia, menos dia, este povo conquistará seu legítimo direito á vida e á liberdade na terra dos seus antepassados, em um Estado palestino soberano e independente.

http://www.vermelho.org.br/diario/2003/0928/0928_intifada.asp

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