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Brasil Colônia

Navegar é preciso

Em 1415 os portugueses venciam os mouros e tomavam a cidade de Ceuta no norte da África.

Em 1492 a Espanha, através do navegador genovês Cristóvão Colombo chagava na ilha de São Salvador nas Antilhas.

Dois marcos importantes que inauguram a expansão ultramarina, liderada por Portugal e Espanha, que foram as duas grandes nações européias entre os séculos XV e XVI, na passagem para Idade Moderna.

PORTUGAL FOI O PRIMEIRO

Se fizermos um paralelo entre a realidade sócio-político-econômica de Portugal e Espanha encontraremos a resposta para o pioneirismo português na expansão marítima, mesmo porque, este pioneirismo deve ser explicado, frente ao atraso da Espanha .

Em primeiro lugar deve ser destacada a precoce formação de uma Monarquia Nacional em Portugal (desde 1385 com a Revolução de Avis), enquanto que a Espanha somente alcançará essa condição em 1469, com o casamento dos reis católicos Fernando de Aragão e Isabel de Castela. A situação de paz externa e interna do reino português e uma dinâmica burguesia mercantil aliada ao Estado, também foram fatores importantes. Os reinos da Espanha ainda continuavam participando da longa Guerra de Reconquista contra os mouros, que terminou somente em 1492 com a derrota muçulmana em Andaluzia na cidade de Granada.

Além desses fatores, temos o apoio do Estado português aos estudos náuticos a cargo do infante D. Henrique, que transformou a cidade de Sagres em um grande centro de estudos náuticos por volta de 1418.

Destaca-se ainda a posição geográfica privilegiada de Portugal , situado na rota e na escala mar Mediterrâneo-Atlântico, que atinge o mar do Norte e valiosos centros comerciais dessa região.

O CICLO ORIENTAL

Conhecido como "ciclo oriental" os empreendimentos marítimos portugueses prosseguem rapidamente pela costa atlântica africana após a tomada de Ceuta, quando em 1434, o navegador Gil Eanes conquista a região do Cabo Bojador, tendo à sua frente as ilhas Canárias. Paralelamente, as ilhas do Atlântico africano (arquipélagos de Madeira, Açores e Cabo Verde), vão sendo anexadas por Portugal. Nesses arquipélagos, Portugal introduziu a agricultura açucareira e a pecuária, com mão-de-obra escrava e sistema de capitanias hereditárias. Na costa sul-africana, o português Diogo Cão atinge a foz do rio Congo e a região de Angola em 1485.



Este contorno da África foi completado em 1498, quando Bartolomeu Dias atingiu o Cabo da Boa Esperança, anteriormente chamado de Cabo das Tormentas. No entanto, o apogeu do "ciclo oriental", ocorre somente quando Vasco da Gama atinge a costa da Índia em 1498, seguida pela expedição cabralina, que chega ao Brasil em 1500. Com a intenção de formar um grande império no Oriente, os portugueses, ainda atingem a região do Golfo Pérsico (Aden), prosseguindo pela Índia até a ilha do Ceilão e atingindo a Indonésia, onde foi conquistada a importante ilha de Java. Com a conquista de Macau no litoral da China, os portugueses firmaram diversos acordos com importantes centros comerciais da China e do Japão entre 1515 e 1520.



A corrupção administrativa e os excessivos gastos burocráticos e militares, associados à queda nos preços dos produtos orientais, foram determinantes para o declínio do comércio português no Oriente, a partir da década de 1530. Com a penetração de outros países no comércio oriental, o império lusitano, já controlado pela Espanha, conhecerá seu desmantelamento entre os séculos XVI e XVII.


O CICLO OCIDENTAL


Após a chegada de Colombo na América em 12 de outubro de 1492, os espanhóis prosseguiram em sua expansão em busca de um novo caminho marítimo para as Índias. Nesse contexto, o almirante Vicente Pinzón, um dos companheiros de Colombo, atingiu a foz do rio Amazonas entre 1499 e 1500. O navegador florentino Américo Vespúcio realiza quatro viagens à América, confirmando que Colombo havia chegado em um novo continente.

O objetivo de atingir o oceano Pacífico, efetiva-se somente em 1513, com Vasco Núnes Balboa. Os resultados deste feito não foram os esperados, pois além da distância com o Oriente ser considerável, nesta ocasião, os portugueses já formavam um vasto império na região. A primeira viagem de circunavegação da terra é iniciada pelo almirante português Fernão de Magalhães (contratado pela Espanha), sendo concluída pelo espanhol Sebastião del Cano em 1522.

A primeira área importante para o colonialismo espanhol, foi o antigo Império Asteca, conquistado a partir de 1518 sob o comando de Fernão Cortêz, seguido por Francisco Pizarro, que conquistou o Império Inca entre 1531 e 1538. Nessas regiões, inicia-se uma grande exploração de metais raros, paralelamente a um grande extermínio das populações indígenas pelas tropas espanholas.

A DIVISÃO DAS NOVAS TERRAS


A inevitável rivalidade entre Portugal e Espanha, pela disputa das terras recém descobertas, determinam uma série de acordos entre os reinos ibéricos.

Pelo Tratado de Toledo em 1480, Portugal cedia à Espanha as ilhas Canárias e recebia o monopólio do comércio e navegação no litoral africano ao sul da linha do Equador. Em 1493 o papa Alexandre VI de nacionalidade espanhola estabeleceu pala Bula Inter Coetera, um meridiano divisório, que passaria 100 léguas a oeste de Cabo Verde, onde a Espanha ficaria com as terras situadas a oeste (recebendo toda América), enquanto que Portugal ficaria com a porção leste (Oceano Atlântico). Esta pseudo divisão provocou uma forte reação de Portugal, dando origem ao tratado de Tordesilhas, que estabelecia uma nova linha imaginária passando, agora, 370 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde.

Para as terras orientais foi assinado o tratado de Saragoça em 1529, criando também uma linha imaginária e divisória que passaria pelas proximidades da região das ilhas Molucas.

Essa série de acordos, provoca uma forte reação das regiões marginalizadas, como Inglaterra, França e Holanda, que a partir do século XVI, iniciam uma série de saques e invasões das possessões ibéricas, inclusive do Brasil.

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