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Critica do SIGNO DO CAOS

Crítica por Cléber Eduardo, da Revista Época

O cineasta catarinense Rogério Sganzerla dedicou um curta (Linguagem de Orson Welles) e dois longa-metragens (Nem Tudo é Verdade e Tudo é Brasil) à figura do diretor americano Orson Welles. Valorizou a passagem do autor de Cidadão Kane pelo Brasil, em 1942, quando ele filmou o documentário Its all True.
O Signo do Caos, derradeiro trabalho de Sganzerla, que estréia em São Paulo e no Rio na sexta-feira 11, é o epílogo dessa obsessão. No entanto, Sganzerla trata de Welles, indiretamente, para falar de si mesmo, diretamente, e também da indigência cultural brasileira, direta e indiretamente. Ao mostrar a perseguição de burocratas do pensamento à genialidade artística do diretor americano, situação-base do filme, Sganzerla está emitindo seu debochado berro em reação à uma cultura que, riqueza à parte de seus criadores, promove repressões oficiais a gênios incapazes de se adaptar ao figurino conservador. Caso de Sganzerla, que, entre 1997 e 2003, não fez filme algum. Ele morreu em janeiro de 2004, meses após a finalização de sua despedida cinematográfica.
Pode-se ver essa saideira artística, portanto, como um desabafo em terceira pessoa. E esse contra-ataque à censura político-econômica à criatividade não tem tom de choradeira. Sganzerla só sabe denunciar com potência e energia.
Em vez de lamentar, ele achincalha tudo. Seu desprezo pelas mentalidades medíocres é embalado com uma inventividade de estilo só comparável a de Glauber Rocha - com quem divide o posto de mais transgressor artista do audiovisual brasileiro desde as primeiras incursões na tela com O Bandido da Luz Vermelha e A Mulher de Todos.
Rodado em Super 16mm, com orçamento modesto e criatividade gigantesca, O Signo do Caos é, em linhas gerais, um acúmulo de fragmentos que, autônomos e desconectados em algumas passagens, seguem a lógica da desordem. O som vai para um lado, a imagem para outro, vozes se sobrepõe, os diálogos parodiam clichês sem deixar de aproveitá-los, uma primeira parte em preto e branco granulada dá lugar à uma segunda colorida, tudo entra em choque. Sganzerla é cineasta do acúmulo e da repetição, um liqüidificador de sensações, sempre em busca dos feitos gerados pelo contraste entre elementos narrativos. Raros filmes recentes são tão livres como a de O Signo do Caos.

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