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Organizar idéias é o primeiro passo

SIMONE HARNIK
DA REPORTAGEM LOCAL

Você entrega a prova e sai com aquela impressão de que poderia ter explicado melhor a resposta da pergunta três de biologia? Ou de que deveria ter feito uma amarração mais precisa entre os argumentos da redação? Esse tipo de falha tem nome: dificuldade na organização do pensamento. Mas não se preocupe, há como aprimorar a forma de ordenar as informações.
"O modo de organizar o pensamento é diferente para cada um. Alguns organizam melhor pensando, outros, falando, e outros, escrevendo", explica a coordenadora do curso de letras da PUC-SP, Mercedes Canha Crescitelli. "Mas o jovem tem de ter consciência de que organizar o pensamento é o momento inicial. Depois, tem de fazer rascunho, trabalhar o texto, trocar a ordem de parágrafos."
A aprendizagem da linguagem, das formas de articular informações, acontece, segundo Irene Maluf, psicopedagoga e presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, ainda na infância e na adolescência, dos sete aos 12 anos. "Essa é a época em que o organismo vai se inserir no mundo culto, tem energia para o conhecimento, curiosidade, observação. A partir dos 12 anos, o corpo começa a ficar voltado para o desenvolvimento das sensações, da sexualidade, há o crescimento dos seios, os hormônios mudam", explica a psicopedagoga.
E é aí que mora o problema: quando a fase de desenvolver a sexualidade está no fim, chegou a hora dos vestibulares. "O corpo não estava voltado para novos conhecimentos com tanta intensidade, então chega ao vestibular depauperado. Se o jovem teve dificuldades de aprendizagem na área da escrita, elas vão transparecer no vestibular", diz Irene.
"Se as dificuldades forem trabalhadas, é claro que o jovem vai superá-las. O esforço vale muito na atividade intelectual", pondera.

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Para Mercedes, além das dificuldades com a língua, um problema que pesa no desempenho é ter o que falar. "As dificuldades com o texto não se restringem a problemas textuais. Acabam envolvendo a falta de conhecimento prévio sobre o tema. É difícil ter alunos com muitas idéias e dificuldade de organizar. O contrário é o que acontece mais, os estudantes têm poucas idéias e não conseguem colocá-las no papel", afirma.
Por isso a professora considera que ler jornais e revistas pode ajudar na hora de escrever a redação, por exemplo. "Ter domínio do assunto, discutir na escola ou com amigos é fundamental para organizar idéias. No texto, além dos argumentos, o vestibulando precisa levar em conta os contra-argumentos, fazer a discussão."
Mais do que ter conteúdo, numa prova de vestibular o candidato tem de estar ciente de que tem um tema restrito. "Além da ligação entre as informações nos parágrafos e entre parágrafos, o estudante deve se preocupar em ser coerente com o que foi pedido."
A professora conta que, certa vez, um aluno zerou na prova de redação porque fugiu do tema. A banca examinadora pedia uma dissertação sobre vestibular e o aluno escreveu sobre profissão.
"Conversando com ele, dá para entender a relação entre os dois temas. O estudante entendeu que a escolha de uma carreira num vestibular significava também uma escolha profissional. Mas ele tinha de deixar essa relação clara no texto", explica.
Problema semelhante foi vivido por Felipe Luiz Santana, 18. No ano passado, o candidato teve a redação da Fuvest desconsiderada por fugir do tema. "Eu não entendi o que queria dizer a descatracalização da vida que era pedida na dissertação. Pela minha nota final, acabei não indo bem em português", conta.
Neste ano, para superar as dificuldades, o jovem, que tenta uma vaga na carreira de esportes na USP, treina em média três redações por semana. "Eu faço, refaço, mostro para os plantonistas do cursinho. Acho que no colégio não peguei firme nas aulas de redação e estou recuperando o tempo perdido."
Texto publicado no "Caderno Fovest", da Folha de S Paulo, de 27 de dezembro de 2005.

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