HISTORIANET

Temática

Termas romanas de São Pedro do Sul

Por Pedro Silva, de Portugal

É verdade que, no presente momento, resta muito pouco das antigas termas romanas, que alguns apelidam igualmente de Castro do Banho, localizadas na Estrada Municipal entre Várzes e Serrazes, no cruzamento para Ferreiros, de acordo com os guias turísticos. Seja como for, é de fácil localização, pois situa-se no interior da povoação e, no momento em que nos deslocámos, há relativamente pouco tempo, estava em obras de valorização, de acordo com a placa presente no local, e a cargo do Instituto Português de Património Arquitectónico.
Em boa hora o fizeram, pois toda a área envolvente é de uma graciosidade extrema, junto ao rio que passa entre as duas margens, qual contador de histórias passadas que, aos ouvidos modernos, parece apenas o agitar das águas.
Sabemos que o povo romano, que por aqui esteve alguns séculos, tinha uma grande preocupação com a actividade física e com a higiene pessoal. Eram extremamente vaidosos e cuidavam de si de uma maneira que, a alguns dos olhos de hoje, não passa de miragem. Defendiam o lema de que uma mente sã só era possível num corpo são.
Ora, as termas romanas eram fundamentais para o cultivar deste estilo de vida - ainda actualmente, as termas representam, ao mesmo tempo, a saúde e a limpeza. Da estrutura coeva destas termas restam pouco mais que colunas e um amontoado de pedras, que os qualificados técnicos de restauração, irão, naturalmente, dar o melhor seguimento possível. Há vestígios de um tanque, de proporções médias, que serviria o complexo inteiro, com as suas escadas e, infelizmente, pouco mais. Sabe-se que D. Afonso Henriques ter-se-á vindo curar nestas mesmas termas, aproveitando as propriedades destas águas sulfúreas, sódicas, carbonatadas e silicatadas.
Relembre-se, a título de curiosidade, que Júlio César, e os seus exércitos, dominaram militarmente a Península Ibérica, cuja pacificação só se alcançou, através do Imperador Augusto, perto do considerado ano zero da nossa era. Os principais legados do povo romano foram, efectivamente, a língua (latim), as vias rodoviárias (sobre as quais assenta a maior parte das nossas estradas actuais) e a construção de diversos monumentos com fim lúdico, religioso ou prático (como as pontes).

Ponte Romana e Capela de São Pedro do Sul

Devo confessar que ambos estes monumentos não faziam parte do roteiro inicial de viagem definido antes de rumar directo a terras de Viseu, mas, ainda assim, achei curioso o facto de uma ponte romana estar tão bem conservada e adaptada à modernidade que decidi fotografar, para mais tarde analisar, ao passo que da pequena capela, colada ao Castro do Banho ou Termas Romanas de São Pedro do Sul, bem pequenina, mas com uma construção tão curiosa, fixei-me pela imagem que aqui apresento.
Em primeiro lugar, a ponte romana. Confesso a minha falha tremenda pois não consegui confirmar nada em relação a ela. Não me parece romana, a avaliar por aquilo que tem sido comum observar noutros locais. Se algum habitante de São Pedro do Sul, ou estudioso do tema, me quiser elucidar agradecia.
Em segundo e último lugar, a Capela de São Sebastião, que tive oportunidade de dar uma volta, calma, pelas suas quatro paredes, numa perspectiva exterior. Podem chamar-me nomes, mas o certo é que, de tudo, o que mais me chamou foi a peculiar pedra que aqui surge fotografada.
A mesma está totalmente desenquadrada do resto da construção e, para dizer o que me vai na alma, parece retirada directamente de outro monumento mais antigo, quiçá de algum castro. As linhas curvas insculpidas naquela pedra são tudo menos comuns ou despropositadas.
De alguma maneira parecem representar ou uma ponte, ou a água - como tal, ligadas a um efeito aquático, em virtude da proximidade do rio.
Poder-se-ia tratar de um apoio, ou sustentação de um qualquer monumento, visto ser arredondada na sua parte posterior. Seria um encaixe?
Bem, a verdade é que, aparte qualquer explicação plausível, este vosso viajante, com olhos de turista sonhador, continuará a acreditar que aquela inscrição lítica está ali por causa da zona envolvente onde a mesma se insere, quiçá por alguma ideia antiga ou crença pagã do culto das águas. Não custa acreditar - e das ideias menos racionais têm surgido as explicações mais prováveis.
É mais uma razão para a visitar, com olhos de ver!

Pesquisar em
1124 conteúdos

Notícias

França e Alemanha lembram 100 anos da Primeira Guerra

Presidentes Hollande e Gauck homenageiam mortos nas batalhas e destacam importân

Livros

O capitalismo como religião

apresenta um recorrido por ensaios do filósofo Walter Benjamin, organizado e int

Notícias

Série refaz a trajetória de líderes da Segunda Guerra

'Guerras Mundiais', que estreia no History Channel, mostra a participação de Hit

Notícias

Vou passar no ENEM

Acompanhe as orientações e dicas para enfrenar esse desafio

COPYRIGHT © HISTÓRIANET INTERNETWORKS LTDA

PRODUZIDO POR

SOBRE O HISTORIANET