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Fotografias da Revolução Cubana

Seleção inédita de fotografias da Revolução Cubana chega a São Paulo
A exposição de fotografia "A Épica Revolucionária Cubana" traz imagens de Alberto Días (Korda), Raúl Corral - Corrales, Osvaldo Salas, entre outros.

Da Redação - Carta Maior - www.cartamaior.com.br

Às vésperas do 80º aniversário do líder cubano Fidel Castro, nascido a 13 de agosto de 1926, São Paulo recebe uma mostra fotográfica com seleção inédita de imagens dos primeiros anos da Revolução, mais exatamente no período de 1959 a 1969.

A exposição A Épica Revolucionária Cubana, em cartaz na Galeria do Senac Lapa Scipião entre 13 de julho e 18 de agosto de 2006, tem curadoria de Nelson Ramírez de Arellano, fotógrafo e curador chefe da Fototeca de Cuba e conta com 69 imagens em preto e branco de 8 fotógrafos considerados os expoentes da fotografia do período, entre eles Alberto Díaz - Korda, Raúl Corral - Corrales (falecido em abril de 2006), Oswaldo Salas e Roberto Salas.

Durante a sua inauguração, no dia 13 de julho, estarão presentes Roberto Salas, o fotógrafo responsável por algumas das principais imagens realizadas no período e Lourdes Socarrás, co-curadora da mostra e Diretora da Fototeca de Cuba, principal instituição cubana de fomento à fotografia e responsável pelo acervo.

O Instituto de Mídia e Artes - IMEA é responsável pela realização da mostra no Brasil e vem atuando em parceria com a Fototeca desde 2002 para sua concretização. "Será uma rara oportunidade de conhecer com maior profundidade o excelente trabalho dos fotógrafos cubanos realizado nos primeiros anos da Revolução, suas características, contexto, motivações, dificuldades e o papel da fotografia no cenário cubano atual", diz Fernanda Cerávolo, diretora do Instituto e produtora executiva da mostra no Brasil.

A famosa foto "O guerrilheiro Heróico" tirada em 1960 por Alberto Díaz (Korda), que ganhou notoriedade mundial e continua sendo um dos principais ícones de rebeldia da atualidade, é uma das imagens da mostra. Fernanda ressalta, no entanto, que um dos principais objetivos do IMEA com a iniciativa é mostrar a vastidão e excelência do trabalho realizado pelos fotógrafos naquele momento e dar início a um trabalho mais consistente de intercâmbio cultural e artístico entre Cuba e o Brasil.

Além da mostra, o IMEA e a Fototeca promoverão dois eventos paralelos, um painel de discussão sobre fotografia: A Épica Revolucionária Cubana: seus expoentes, impacto na cultura e na sociedade e papel da fotografia latino americana no cenário global (dia 14 de julho das 15 às 17h30) e seleção de trabalhos de fotógrafos brasileiros para exibição em uma mostra coletiva na cidade de Havana em 2007. Para informações detalhadas e inscrição no Painel consultar o site: www.institutomidiaeartes.com.br/epicacubana.

A iniciativa tem patrocínio da Vinil, produtora de internet, realização do Instituto de Mídia e Artes e apoio institucional do SENAC.

A Fototeca disponibilizará imagens autografas e numeradas dos fotógrafos da Épica para comercialização. Os interessados podem entrar em contato com o Instituto através do email: info@institutomidiaeartes.com.br


Sobre a Épica (texto do curador Nelson Ramírez de Arellano)
A exposição A Épica Revolucionária Cubana foi organizada pela fotógrafa e pesquisadora cubana Marucha (Maria Eugenia Haya, 1944-1991), fundadora da Fototeca de Cuba em 1986.

Marucha foi a primeira pessoa a organizar o material fotográfico produzido durante os primeiros anos da Revolução Cubana (1959-1969) em um ensaio intitulado Apuntes para una historia de la fotografía en Cuba publicado por ocasião da exposição Historia de la fotografia cubana, exibida no Museu Carrillo Gil no México em 1976.

A partir deste ensaio, Cuba herdou aproximadamente 60 épicos que refletem as características da fotografia do período da revolução.
Apesar da Revolução Cubana marcar fortemente o estilo fotográfico da década de 60, não é correto afirmar que a fotografia cubana da época resume-se à Épica. No mesmo período, também foram feitos outros tipos de fotografia, pelos mesmos autores que protagonizaram a Épica.

Para entender o que foi a fotografia cubana da década de 60, não se pode pensar em unidade de estilo. Os maiores expoentes desta época, aqueles que deram forma e coerência à obra, não se classificam dentro de uma mesma corrente artística, eles brindaram a fotografia épica com traços de suas experiências passadas.

A Épica e seus expoentes

Raúl Corral - Corrales (1925-2006) - Formado em Fotojornalismo antes da Revolução, trabalhou para Cuba Sono Film (agência de propaganda do Partido Socialista Popular) desde meados dos anos 40, como fotógrafo na Prensa Obrera de Cuba e posteriormente para os jornais Hoy e para as revistas Ultima Hora, Bohemia, Carteles e Vanidades. Mas foi na Cuba Sono Film, onde se dedicava a reportagens sobre as condições econômicas e sociais cubanas, que forjou o senso ético aportado posteriormente ao registro fotográfico da Revolução.

Osvaldo Salas (1914-1992) - Formou-se como fotógrafo em Nova York. Suas imagens eram publicadas com regularidade em diversas revistas americanas, incluindo a Life e apresentam um estilo novaiorquino semelhante ao dos fotógrafos do pós-guerra, com talento destacado para o retrato. Após haver conhecido Fidel Castro em Nova York, Salas deu seqüência a sua carreira com o objetivo filosófico e moral de retornar a Havana, e o faz dois dias antes do triunfo da Revolução.

Alberto Días (Korda) - Foi um dos mais famosos fotógrafos publicitários e de moda de Havana, um retratista excepcional, ainda que com marcante influência de Irving Penn e Richard Avedon. Sócio dos estúdios, Korda, detentor de todas as habilidades e conhecimentos de um fotógrafo publicitário, conseguiu transferir o glamour característico de um retrato produzido em estúdio, para imagens como El Guerrillero Heróico, realizada acidentalmente com uma câmera de 35 mm, durante o ato de comemoração às vítimas da explosão do casco do La Coubre.

Além de Corrales, Korda e Salas, há outros fotógrafos que documentaram a Revolução de forma magnífica. Neste grupo estão Roberto Salas, filho de Oswaldo Salas, personagem igualmente interado dos movimentos políticos da época; Libório Noval, que trabalhou como fotógrafo publicitário até o início da revolução, quando passou a trabalhar para o jornal Revolución e para o jornal Granma; Perfecto Romero e Ernesto Fernández, que trabalhava como ilustrador da revista Carteles e já havia realizado um ensaio fotográfico muito interessante antes de 59: La Habana en Inglês, em que documenta anúncios de negócios cubanos, dos quais 90% estavam em inglês. Depois de 59, passou a trabalhar para o jornal Revolución. Nos anos 50, adiantou-se em certo sentido ao início do período épico, com sua fotografia da cabeça de Martí realizada em 1957 - nesse momento os protagonistas da revolução estavam na Sierra Maestra combatendo na guerrilha e, lamentavelmente, não contavam com um fotógrafo que registrasse os acontecimentos, o que teria antecipado o surgimento do movimento fotográfico da época.

Esse período da fotografia cubana - entre 1959 e 1969 - não pode ser enquadrado nos rígidos limites de uma década, sem esquecer alguma outra fotografia importante e sem ignorar outro tipo de fotografia também importante que estava sendo realizada nos mesmos anos. Um período que não possui unidade quanto à construção visual, estilística e formal - afinal o uso da câmera de 35 mm e a luz ambiente não podem ser considerados delimitadores de estilo - mas que ainda assim é perfeitamente distinto e diferente.

Korda repetiu em várias ocasiões que, para falar da fotografia da revolução, era necessário falar de Corrales, pois, para Korda, ele é o pai da fotografia revolucionária.

Esta paternidade é caracterizada por um profundo senso ético. A fotografia de Corrales supera a iconografia, ela descreve a mudança revolucionária a partir da transformação ética que a mesma incitou. Ele não começou seu trabalho a partir do sucesso da revolução, seu compromisso ético, característica forte de sua fotografia épica, o acompanhou desde o início de sua carreira. Corrales foi, desde o princípio, um fotógrafo do povo e para o povo - a celebração do miliciano não é apenas a celebração de um homem comum, é a celebração de um homem comum imerso em um sucesso épico, um miliciano, um voluntário que defende a revolução.

A mudança de tema que faz de Korda um fotógrafo da revolução já havia acontecido desde muito antes na obra de Corrales, como podemos apreciar em Wash an were por volta de 1950. La Caballería, que relembra as lutas pela independência no século XIX, é realmente isso, uma cavalaria libertadora que nacionaliza o Central Preston Oriente.

A relação de fotógrafos do período épico que não estão presentes nesta seleção é extensa. Desde os seus primeiros anos, a Revolução atraiu a atenção de praticamente todos os fotógrafos cubanos. A partir de 1º de janeiro de 1959, e durante muito tempo, deu-se na fotografia cubana um caso insólito de coincidência temática. A análise das características que unificam o corpo da fotografia épica cubana permite aos seus estudiosos afirmar que ela não se limita ao trabalho de uma década. Seu caráter ético e iconográfico também está presente antes e depois deste período, mesmo que o auge de seu amadurecimento coincida com o período que vai de 1959 a 1969.

Serviço:
Exposição Fotográfica - A Épica Revolucionária Cubana
Abertura - 13 de julho a partir das 19h30.
Visitação - de 14 de julho a 18 de agosto de 2006
2ª a 6ª - feira, das 9h às 21h; sábado, das 9h às 16h.
Galeria Senac Lapa Scipião
R. Scipião, 67 - São Paulo - SP - tel.: 11 3866 2500

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