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A Política na sala de aula

Professor fala sobre a importância de discutir política em tempos de crise.
Francisco Bicudo e Elisa Marconi

As denúncias de corrupção, a crise que se traduz em propinas, mensalão e sanguessugas e a apatia da sociedade com a atual disputa eleitoral não impedem que o professor Edson Gabriel Garcia fale de política com entusiasmo e empolgação. “Discutir esse tema quando as coisas vão bem é fácil. Difícil, mas necessário, é enfrentar o assunto e incentivar o debate quando estamos atolados na crise. Faz parte”, explica o educador, formado em Pedagogia e Letras. Guiado por esse espírito e coerente com seu discurso, ele acaba de lançar De Olhos Bem Abertos, livro que se propõe a contribuir com reflexões sobre temas como democracia, cidadania, representação institucional, participação e esferas de poder – todos eles, portanto, intimamente associados à idéia da política, entendida pelo autor como “a arte da discussão e da negociação em busca do bem-estar comum”.

Garcia conta que a intenção de colocar a obra à disposição da sociedade surgiu a partir de duas motivações. De um lado, havia o desejo de aproveitar a própria experiência profissional, já que o autor é também assessor do vereador Carlos Gianazi. “Vejo a política por dentro, onde ela acontece, fato que me ofereceu o privilégio de poder escrever de dentro do furacão”. Na outra ponta, ele lembra que De Olhos Bem Abertos, faz parte da coleção Conversas sobre Cidadania, da editora FTD, que, em volumes anteriores, já havia abordado assuntos como violência, paz, consumo, direitos e deveres e igualdade e diferenças. “Não é um vôo solo, uma obra solta ou aleatória. Representa mais uma etapa de uma trajetória que chega agora ao seu sexto estágio”, reforça o professor. “Por reunir a experiência prática com o espaço para publicação, eu me sentia na obrigação de escrever o livro”, completa.

A obra segue uma estrutura narrativa simples e fixa: apresenta uma história do cotidiano, envolvendo diferentes segmentos e espaços sociais, para identificar e discutir um determinado problema. O texto principal é enriquecido por boxes complementares, que procuram agregar informações de natureza histórica, para situar o leitor no tempo e no espaço. A intenção maior é buscar os conceitos – o que é política, partido político, como se organizam as campanhas, qual a importância das eleições e da participação, como se estabelecem os sistemas de poder – para mostrar que a política, por definição, faz parte do nosso dia-a-dia, do nosso universo imediato, quer gostemos e aceitemos essa idéia ou não. “Não adianta fugir ou assumir uma postura passiva e descompromissada, batendo no peito e dizendo que a política não tem efeito e que não tenho nada a ver com isso”, diz Garcia. “Ela é importante, necessária e, se eu não ocupar esse espaço, pode ter certeza que alguém vai fazê-lo por mim. É nessas situações que surgem as manipulações, as cooptações e os controles e que os políticos mal intencionados nadam de braçada”, acrescenta o especialista.

Diante da crise das ideologias, quando os conceitos de direita/esquerda e progressistas/conservadores passam a se confundir, e de uma série de decepções recentes proporcionadas por distintos projetos políticos viabilizados no Brasil, Garcia sabe que enfrenta um desafio que classifica de colossal. O descaso transforma-se em aversão, quase em nojo, e, desacreditada, a política passa a ser associada apenas a situações ruins e desagradáveis. A tarefa – quase hercúlea – reside justamente em ser capaz de trazer de volta o brilho nos olhos e a paixão pelo debate político. “É por isso que eu digo que é um desafio também prazeroso. Para mim, a importância da política é tão evidente, tão clara... O mais gostoso é saber que é possível reverter essa situação. Nas escolas que eu visito, percebo que grande parte das pessoas começa a pensar de verdade naquilo que falei e escrevi”. O autor diz ter consciência de que o livro representa apenas uma pequena contribuição. Mas, para ele, não há outra saída ou alternativa: é preciso fazer o debate, incentivar a discussão e tentar convencer, pelos argumentos, os incrédulos. A outra possibilidade seria cruzar os braços e esperar a barbárie chegar. “Mas essa postura a gente recusa”.

Política na sala de aula
A discussão sobre política em sala de aula, no entanto, não deve se confundir com disputas partidárias. É honesto e justo que o professor manifeste suas preferências e opções ideológicas, até porque a neutralidade absoluta é um mito e o aluno deve poder identificar a partir de quais referenciais o educador estabelece suas análises. Mas o sectarismo, a intolerância, o autoritarismo e a defesa de programas partidários e de verdades absolutas devem ser deixados de lado. “Como comandante do processo, o professor deve ter muito cuidado e ser criterioso para propor a reflexão e a discussão, investindo nos aspectos históricos e conceituais da política, mantendo acesa a lembrança e a memória, e buscando sempre a relação com nosso cotidiano”, sugere o autor. Segundo ele, o docente deve se preparar, pesquisar, programar, já que a discussão de conceitos políticos não deve ser algo acidental, até para não parecer bate-boca.

Quando o assunto é o público do livro, Garcia não esconde a satisfação: embora voltado prioritariamente para crianças e adolescentes, a obra tem suscitado a discussão também entre os adultos. “É abrangente e eclético e permite abordagens múltiplas e leituras com profundidades diferenciadas, de acordo com a idade”, comemora. Nas escolas, De Olhos Bem Abertos tem sido ponto de partida para os mais diversos trabalhos práticos: cartazes, painéis, mesas-redondas, seminários, artigos e até mesmo propostas de campanhas que pretendem viabilizar transformações locais, nos ambientes escolares e familiares. “Esse é o caminho – instigar e provocar para desencadear a participação da juventude”, conclui o professor.

Palestra: “A arquitetura de um texto político e as implicações no cotidiano escolar”

Com o Prof. Edson Gabriel Garcia, autor do livro “De Olhos Bem Abertos – A política Presente em Nosso Cotidiano”.
Data: 23 de setembro (sábado)
Horário: 10 horas
Local: Auditório do SINPRO-SP – Rua Borges Lagoa, 170, Vila Clementino
Inscrições gratuitas. Vagas limitadas.

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