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Eleições 2006

O HISTORIANET realizou uma entrevista com 4 candidatos a Deputado Estadual, todos eles professores, de partidos / coligações diferentes; no Estado de São Paulo
Todos responderam às mesmas questões.

Por ordem alfabética os candidatos são:

- Professor Edgard Fernandes - PSTU - 16016
- Professor Francisco Alves - PSDB - 45250
- Professor Giba - PT - 13010
- Professora Maria Antonia - PMDB - 15133

Veja a seguir a entrevista:

1) Faça uma breve apresentação de sua candidatura, acompanhada de um resumo de sua experiência no magistério.

Edgard Fernandes Neto tem 53 anos é professor de Geografia da rede estadual há 29 anos. Candidato pelo PSTU, como número 16016. Foi membro da Executiva Nacional da CNTE por dois mandatos, de 1992 a 1993 e de 2003 a 2004. É vice-presidente licenciado da Apeoesp pela Oposição Alternativa - Conlutas. Foi redator da revista Desafio na Educação e colabora com o Instituto Latino - Americano de Estudos socioeconômicos (Ilaese) e suas publicações.
Sustenta que educação não é mercadoria. FHC e Lula mantiveram o índice de 4,3% do Produto Interno (PIB) de verbas a educação. Os trabalhadores em Educação exigem de imediato 10% do PIB rumo aos 15%.
Só é possível garantir verbas para a Educação não pagando as dívidas externa e interna. Não há como garantir uma Educação pública de qualidade sem a valorização dos seus profissionais, sem que se estabeleça o salário mínimo do Dieese para 20 horas-aula, estabilidade no emprego, fim do trabalho precário e o retorno das conquistas retiradas com a reforma da previdência de Lula e Alckmin.

Professor Alves - Minha candidatura pelo PSDB, com o número 45250, é produto de uma militância política anterior à Ditadura Militar, ainda em Fortaleza, que, com um grupo de amigos, entre eles o saudoso Frei Tito de Alencar, fundamos a Juventude Estudantil Católica (JEC). Em São Paulo, em 1963, comecei a trabalhar e ingressei na Juventude Operária Católica (JOC). Com o regime militar, a esquerda católica foi liquidada e então minha militância partidária tornou-se clandestina, como líder estudantil universitário lutando contra a ditadura, organizando passeatas e enfrentando os cascos dos cavalos, brucutus, bombas de gás lacrimogênio e as longas estadas no DOPS. Nesse ínterim terminei o Curso de História na USP e fui dar aulas no Estado como professor concursado. A partir de 1971 fui contratado pelo Objetivo e mais tarde pela UNIP, onde permaneço até hoje. Muitos alunos e amigos professores me estimularam a disputar um cargo político e, por isso, às vésperas de completar 60 anos de idade, após ter feito o mestrado e o doutorado na USP, me candidato a Deputado Estadual pelo PSDB, partido que ajudei a fundar em 1988.


Prof Giba é candidato a Deputado Estadual pelo PT, com o número 13010 : Como estudante de escola pública, pude comprovar o quanto é difícil o acesso dos jovens de baixa renda ao ensino superior gratuito. Por isso, na Assembléia lutarei pela melhoria do ensino e pela democratização no acesso às universidades públicas. Sou formado em engenharia pela USP. Como professor lecionei Física em colégios particulares e no Cursinho da Poli, atuando também como coordenador geral. Minha campanha está pautada no trinômio: Juventude, Educação e Trabalho.



Maria Antonia de Oliveira Vedovato é candidata à Deputada Estadual pelo PMDB, número 15133. Pauta sua candidatura na defesa da Educação e da Escola Pública. Graduada em Ciências Sociais pela USP, fez complementação em Pedagogia e História e pós-graduação em Metodologia do Ensino Superior. Exerceu o magistério por mais 40 anos em cargos de Professora, Diretora de Escola, Supervisora de Ensino e Delegada de Ensino. Foi membro do Conselho Estadual de Educação e, atualmente é membro do Conselho Municipal de Educação de Santo André. Foi Presidente do Sindicato de Supervisores do Magistério no Estado de São Paulo de 1996 a 2002.


2) A Comissão de Orçamento e Finanças da Assembléia Legislativa (Alesp) aprovou na noite de terça-feira, 29, relatório da Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) garantindo um aporte maior de verbas para a Educação. O relatório aprovado, que será agora submetido a votação do plenário, aumenta de 30% para 31%.
A quais procedimentos de gastos esses 31% devem ser vinculados?


Professor Alves - PSDB - 45250 - Acho que os 31% destinados à Educação pela LDO deveriam ser gastos, prioritariamente na remuneração dos professores a partir de um novo plano de carreira e de salários; na contratação de um corpo docente que ministrará aulas de cursinhos pré-vestibulares para alunos recém saídos das escolas públicas, afrodescendentes e de famílias com renda inferior a dois salários mínimos mensais; cursos de requalificação profissional; construção de bibliotecas em todas as escolas da rede pública estadual; ampliação dos cursos profissionalizantes e das Fatec's; novos campi da USP, UNESP e UNICAMP

Professor Giba - PT - 13010
Melhorar a qualidade do ensino, mudando o ambiente escolar e introduzindo no projeto pedagógico a educação inclusiva, o acesso ao universo da cultura, ao esporte e a relação do aluno com a família;
Preparar os professores com formação permanente, através da Universidade dos Professores, que vai capacitar as universidades públicas paulistas para dar formação avançada ao professorado, melhorando com isso seus salários;
Ampliar as ofertas de escolas, considerando as necessidades regionais;
Recuperação das ETEs (Escolas Técnicas Estaduais) e criação dos CEPs - Centros Regionais de Ensino Técnico Profissionalizante;
Fortalecer a universidade pública, ampliando sua contribuição para o desenvolvimento da sociedade e a participação do governo no ensino superior;
Expandir as vagas com qualidade e democratização do acesso à universidade;
Pensar em sistemas de manutenção do aluno na universidade, através de incentivos para a moradia universitária, alimentação e bolsa financeira aos alunos de alta vulnerabilidade social.

Maria Antonia - PMDB - 15133 - O percentual de 31% destinados à Educação, por relatório aprovado na Comissão de Orçamento e Finanças, deve contemplar gastos com a manutenção e desenvolvimento do ensino em todos os níveis e modalidades previstas na LDB, em especial aos que se referem à valorização salarial de todos os trabalhadores em educação, incluindo aí os aposentados; ao aperfeiçoamento do pessoal docente e demais profissionais da educação; à aquisição, manutenção, construção e conservação das instalações e equipamentos necessários a um ensino de qualidade, bem como, aos levantamentos estatísticos, estudos e pesquisas, requeridos ao aprimoramento da qualidade e expansão do ensino.

Edgard Fernandes - PSTU - 16016 Primeiro é necessário esclarecer que, há uma luta em curso para a aprovação desta emenda em plenário, pois a maioria governista (PSDB, PTB etc.) é contra a ampliação dos recursos para a Educação.
No entanto, sou da opinião que este recurso seja destinado diretamente para a Educação, o que significa destiná-lo para aumentar os salários dos profissionais da educação, na infra-estrutura das escolas (laboratórios, bibliotecas etc.).


3) Qual sua opinião sobre o projeto denominado "Progressão Continuada"? Faça uma análise e destaque qual seria sua postura em relação a ele caso seja eleito deputado estadual.

Professor Giba - PT - 13010 O projeto que no início objetivava diminuir a evasão escolar - um dos grandes problemas da Educação, com o tempo, mostrou seu outro lado: muitos alunos sendo aprovados sem o aprendizado necessário. Como deputado estadual irei propor o fim da aprovação automática, mudando os sistemas de avaliação e acompanhamento, cumprindo exigências de aprendizado, respeitando o ritmo de cada aluno e estimulando sua formação.

Maria Antonia - PMDB 15133 A Progressão Continuada é uma estratégia, possibilitada pela nova LDB, de respeito à aprendizagem do educando, que deve receber a escolarização fundamental, num tempo certo, sem passar pela experiência negativa da repetência. Exige maturidade profissional e ética dos educadores e, principalmente, compromisso político dos governantes em oferecer os recursos. Como está sendo desenvolvida traz prejuízos à clientela escolar. Se eleita, vou exigir do Governo condições efetivas para a sua realização: escolas bem equipadas; formação inicial e continuada dos professores; condições de trabalho adequadas e salários dignos para todos os trabalhadores da educação.

Edgard Fernandes - PSTU - 16016 A progressão continuada é um modelo importado dos países ricos. A maioria das nações desenvolvidas adota a progressão continuada. Assim, sabemos que a realidade social e econômica é completamente distinta destes países. Nesse sentido, se aplica no Brasil, mas precisamente em São Paulo, uma caricatura do projeto denominado progressão continuada que se resume na aprovação automática, ignorando a precariedade da rede em relação a infra-estrutura e a falta de um plano de carreira que valorize o professor. O projeto progressão continuada pressupõe um aumento substantivo para educação, o que implica em aumentar em 10% do PIB já para a educação, só assim será possível garantir laboratórios e bibliotecas nas escolas; estabelecer no máximo 25 alunos por sala; um plano de carreira que garanta a valorização profissional e um piso salarial nacionalmente unificado de um salário mínimo do DIEESE ($1.572,00) por 20 horas/aula.

Professor Alves - PSDB - 45250 Sou favorável a Progressão Continuada pelo simples fato de que somos um país emergente, com condições objetivas para a implementação desse mecanismo ao longo do ensino fundamental. Entretanto, em algumas escolas da rede estadual, por razões de diversas naturezas, a Progressão Continuada foi transformada em Aprovação Automática, desvirtuando a natureza desse importante instrumento de acompanhamento do aluno no ensino fundamental. Afinal, a Progressão Continuada foi criada para assegurar a qualidade de ensino e para tanto faz-se mister que se realizem contínuas avaliações parciais e recuperações paralelas durante todos os períodos letivos, e ao final do ensino fundamental para fins de certificação. É dessa maneira que a Progressão Continuada contribuirá para a educação de qualidade, sob pena de se voltar à "pedagogia da repetência", absolutamente incompatível com a tão almejada democratização e universalização do ensino fundamental. Afinal, é preciso substituir a ultrapassada concepção de avaliação escolar punitiva e excludente por uma nova concepção de avaliação de progresso e de desenvolvimento da aprendizagem. Eleito, farei de tudo para aperfeiçoar os mecanismos de avaliação da Progressão Continuada, com a criação de novos instrumentos de mensuração do aprendizado no ensino fundamental à luz de uma educação de qualidade, sem retrocessos, sem medo de melhorar os rendimentos no que tange à formação do educando e, sobretudo, sem possibilidade de se voltar ao tempo da evasão escolar provocada pela repetência.



4) Qual a importância de um "plano de carreira" para o magistério do ensino público? E quais características básicas ele deve contemplar?

Maria Antonia - PMDB 15133 O Plano de Carreira é importante instrumento de valorização profissional ao assegurar direitos e garantias aos trabalhadores do ensino público e pondo fim ao clientelismo e ao corporativismo. Deve contemplar a composição de cargos e funções; jornadas de trabalho, estrutura da carreira, mecanismos de evolução funcional e de avaliação de desempenho, estrutura salarial e, principalmente, o concurso de provas e títulos para o ingresso em todos os cargos da carreira.

Edgard Fernandes - PSTU - 16016 Há décadas reivindicamos um plano de carreira do ensino público que valorize o profissional da educação. Embora a constituição de 88 e a Lei 9394/96 estabeleçam suas diretrizes, não existem planos de carreiras que valorize definitivamente o trabalhador em educação. É fundamental ampliar o financiamento da educação, ampliando para 10% do PIB já, rumo aos 15%. Assim será possível adotar plano de carreira que contemple as reivindicações: 1) ingresso exclusivamente por concurso público; 2) o plano de carreira, cargos e salários deve ser aberto, sem barreiras para o profissional evoluir, sem teto salarial e tendo como maior peso o tempo de serviço e os títulos; 3) jornada única de 20 horas/aula, mais 20 horas/atividades; 4) piso salarial de um salário mínimo do DIEESE ($1573,00) por 20 horas/aula; 5) afastamento periódico a cada 3 anos com remuneração para realização de cursos de formação continuada (cursos de extensão, especialização, mestrado ou doutorado). Em defesa da educação estatal laica e de qualidade para todos.


Professor Alves - PSDB - 45250 O plano de carreira para o magistério da rede pública e da rede particular deverá levar em conta o caráter vocacional do docente, isto é, ser educador implica uma vocação absolutamente sui generis, que requer um conjunto de valores e de propriedades inerentes ao exercício da profissão. Por isso, é fundamental que o professor vislumbre horizontes de progressos ao longo de sua carreira, sabendo que a escada que o levará ao topo da profissão implicará, necessariamente na realização de cursos de aperfeiçoamentos, reciclagem e novos aprendizados, envolvendo a contra-partida da remuneração digna de um profissional indispensável numa sociedade globalizada.


Professor Giba - PT - 13010 Através de um plano de carreira é possível assegurar uma jornada de trabalho mais justa; salários mais dignos; evolução mais rápida e justa até o final da carreira; estabelecimento de funções. Vou propor que se revogue a Lei 836/97, que estabeleceu o plano atual e, depois chamar as entidades ligadas à classe para um debate amplo de como estabelecer um novo plano que contemple os verdadeiros anseios do professorado paulista.

Na internet

Prof Edgard Fernandes
Prof Alves
Prof Giba
Prof Maria Antonia

Imagem da capa retirada de:
http://www.tecvitoria.com.br/tvix_softex/agenda_conselho_consultivo.html

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