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Notas do diretor

NOTAS DO DIRETOR



Esperanças e ilusões de uma geração

Eu tinha 19 anos e era militante da VAR-Palmares quando, em 4 de setembro de 1969, o MR-8 e a ALN seqüestraram o embaixador Elbrick. Acompanhei com vibração o desenlace da ação. Exatamente dois meses depois, preso na Polícia do Exército da Vila Militar, soube que Carlos Marighella, o mais expressivo líder das organizações armadas que combatiam a ditadura, havia sido morto em uma emboscada nas ruas de São Paulo. Ele foi uma das vítimas fatais da escalada repressiva que se intensificava.



O fechamento político que se seguiu ao AI-5 havia colocado os movimentos de oposição à ditadura numa encruzilhada: desmobilizar-se ou imergir na clandestinidade para preparar a luta armada. Minha geração, egressa do movimento estudantil e comprometida com a resistência à ditadura, viveu ao longo de 1969 um penoso dilema. O passo atrás era encarado como covardia; o passo à frente podia levar à prisão, à tortura e, para alguns, à morte.



Não existe verdade histórica objetiva

A abertura dos arquivos da ditadura vem revelando os registros dos anos de chumbo. Mas, para que os erros e acertos da história sejam conhecidos, não basta abrir os fichários dos quartéis à consulta pública. É urgente registrar a memória dos que empenharam naquela luta os melhores anos de suas vidas e ainda sobrevivem. Seus relatos são insubstituíveis.



Diferentes versões disputam a apropriação desse passado, nem tão recente nem tão remoto. Na mais conhecida, difundida por livros, filmes e seriados de TV, os revolucionários são vistos como jovens bem intencionados, mas ingênuos e aventureiros. Outra versão os apresenta como heróicos resistentes contra uma ditadura que não lhes deixou alternativa senão pegar em armas. Outros, ainda, encaram a luta armada como uma opção política equivocada e voluntarista.



Não existe uma verdade histórica objetiva, mas uma luta permanente, na sociedade, pela apropriação do sentido dos eventos e pela construção de versões capazes de compreender o passado, iluminar o presente e projetar um futuro. Essas versões não são produto exclusivo do frio exame de documentos, mas estão necessariamente perpassadas e mediadas pelas experiências daqueles que viveram os acontecimentos. Movido por esta convicção, fui ao encontro dos personagens do documentário HÉRCULES 56 em busca de impressões pessoais impregnadas de alguma emoção. Eu não estava interessado em uma abordagem jornalística neutra, em reconstituições factuais ou nos detalhes operacionais do seqüestro do embaixador Elbrick. Meu propósito foi o de realizar um documentário, com um ponto de vista definido, como contribuição à reavaliação da experiência da luta armada no Brasil.



Descobertas nos arquivos

A pesquisa que antecedeu a produção de HÉRCULES 56 trouxe à luz documentos inéditos. Entre eles, uma filmagem feita em Roma em 1979, na qual aparecem imagens de personagens já falecidos: Luís Travassos, Rolando Frati e Gregório Bezerra.




"recepção dos exilados por Fidel Castro"

Cenas do desembarque em Cuba e a recepção por Fidel Castro foram localizadas nos arquivos do ICAIC. Imagens de Onofre Pinto, João Leonardo, José Ibrahin e Maria Augusta foram extraídas de um filme anônimo italiano sobre tortura no Brasil, e suas vozes sincronizadas com a gravação original das entrevistas, encontrada em Havana.



Materiais de quatro diferentes agências noticiosas dos EUA possibilitaram uma edição inédita da chegada dos ex-presos ao México. Dos arquivos da polícia política mexicana, trouxemos fotografias para reconstituir a chegada e a estada dos militantes naquele país, servindo ainda para apresentar cada um deles ao espectador. Também esse material é absolutamente inédito em cinema.



HÉRCULES 56 – O FILME

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