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CONTEXTO POLÍTICO



Não é possível compreender o seqüestro do embaixador Elbrick fora do contexto da política brasileira nos anos 1960. Apresentado inicialmente como uma intervenção transitória, o golpe de abril de 1964 em poucos meses se caracterizou como uma ditadura com prazo indeterminado. Apesar de reprimida, a oposição ao regime mobilizou intelectuais, trabalhadores e estudantes, atingindo seu ponto de maior contestação nas manifestações de rua que se espalharam pelas principais capitais do país durante o ano de 1968.



Em 13 de dezembro de 1968, os militares promulgaram o Ato Institucional N° 5, promovendo um fechamento ainda maior do regime militar e levando alguns setores da oposição, que ainda acreditavam na contestação pacífica, a mergulhar na luta armada. De março a dezembro de 1970, mais três seqüestros de diplomatas resultaram na libertação de outros 115 presos políticos. Aos seqüestros se somaram assaltos a bancos para obtenção de fundos e ataques a quartéis para recolher armas e munições. Essas ações demonstraram uma inegável capacidade ofensiva dos grupos armados que se opunham ao regime. Por outro lado, fortaleceram as posições daqueles que defendiam a intensificação da repressão e o prolongamento da intervenção militar na vida nacional.



O momento do seqüestro

Às vésperas da Semana da Pátria de 1969, o Brasil vivia uma situação política peculiar. O marechal Costa e Silva havia sido afastado da presidência da República, em conseqüência de uma isquemia sofrida em 29 de agosto. Os ministros militares Aurélio de Lyra Tavares, Augusto Rademaker e Márcio de Sousa Melo baixaram o Ato Institucional N° 12, determinando que assumiriam eles o cargo vago, no lugar do vice-presidente Pedro Aleixo, que foi submetido a uma prisão domiciliar.



Nessa conjuntura, a Dissidência Universitária da Guanabara (DI-GB) adotou o nome MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro) e colocou em prática, juntamente com a ALN (Ação Libertadora Nacional), um plano de seqüestro do embaixador Charles Elbrick, visando à libertação de presos políticos e a divulgação de um manifesto revolucionário.



As Forças Armadas, já divididas quanto à sucessão de Costa e Silva, foram pressionadas pelos Estados Unidos a preservar a vida do diplomata. Nas semanas seguintes, foram instituídas a pena de morte e a prisão perpétua em tempo de paz, endurecida a Lei de Segurança Nacional e editada a Emenda Constitucional Nº 1, que tornava ainda mais discricionária a Constituição imposta ao país em 1967.



PERSONAGENS

- Os presos libertados em troca do embaixador Elbrick

No Dia da Independência de 1969, os jornais de todo o país estamparam, na primeira página, a fotografia de 13 presos políticos em frente ao Hércules 56 da FAB. Em pé, apareciam Luís Travassos, José Dirceu de Oliveira, José Ibrahin, Onofre Pinto, Ricardo Vilas Boas, Maria Augusta Carneiro Ribeiro, Ricardo Zarattini e Rolando Frati. Agachados, estavam João Leonardo Rocha, Agonalto Pacheco, Vladimir Palmeira, Ivens Marchetti e Flávio Tavares. Não aparecem na foto Gregório Bezerra e Mario Zanconato, embarcados em Recife e Belém, a caminho do México.

Dos 15 presos políticos trocados pelo embaixador Elbrick, seis já faleceram. Os nove remanescentes do grupo (em negrito, acima) são os personagens principais de HÉRCULES 56.



AGONALTO PACHECO
“O objetivo da luta armada é criar condições para que toda a sociedade compreenda a importância dela. Aí pronto.”

Agonalto Pacheco da Silva nasceu em Aquidabã (SE), em 1927. Ferroviário e militante do Partido Comunista Brasileiro, teve participação ativa na Associação dos Servidores Públicos de Sergipe. Elegeu-se vereador pelo PTB em 1958 e entrou na clandestinidade logo após o golpe de 1964, deslocando-se para São Paulo. Sem desligar-se do PCB, integrou-se ao grupo liderado por Carlos Marighella que daria origem à ALN. Foi preso em 1969. Viveu dez anos em Cuba e retornou ao Brasil em 1979, participando do PMDB de Aracaju. Não acompanhou a reformulação de rumos do movimento comunista liderada por Roberto Freire e que resultou no PPS, optando pela reestruturação do PCB sergipano. Com 79 anos e pai de dez filhos, mora em Aracaju.



FLÁVIO TAVARES
“Nosso equívoco triunfal foi o seqüestro do embaixador americano. A partir de então, a repressão se transformou. Passou a ser muito mais sofisticada.”

Jornalista, advogado e professor universitário, Flávio Freitas Hailliot Tavares nasceu em 1934, em Lageado (RS). Em 1954, foi eleito presidente da União Estadual de Estudantes. De 1960 a 1968, foi comentarista político de Última Hora. Integrou o grupo fundador da Universidade de Brasília, da qual é professor aposentado. Pouco depois do golpe de 1964, foi preso pela primeira vez, em Brasília. Entre 1965 e 1967, manteve contatos freqüentes, no Uruguai, com o exilado Leonel Brizola, assumindo a coordenação operacional do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR) no Planalto Central e Norte do Brasil. Sua segunda prisão se deu em agosto de 1967 e durou quase cinco meses. Dois anos depois voltou a ser preso e intensamente torturado, após ter participado de uma operação que libertou nove presos políticos da penitenciária Lemos Brito, no Rio de Janeiro. Durante o exílio no México, foi redator do jornal Excelsior e, a partir de 1974, seu correspondente em Buenos Aires. Na Argentina, também foi correspondente internacional de O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo. Em 1999, publicou Memórias do Esquecimento, que lhe valeu, em 2000, o Prêmio Jabuti na Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Em 2004 publicou O Dia em que Getúlio Matou Allende. Em julho de 1977, Flávio Tavares foi seqüestrado pelo exército uruguaio – um braço da Operação Condor –, permanecendo por 195 dias em cárcere privado. Uma campanha internacional resultou em sua libertação e embarque para Lisboa, onde viveu por dois anos, antes de voltar ao Brasil, com a anistia, no final de 1979. Flávio vive em Búzios, RJ.



JOSÉ DIRCEU
“Não deu certo praticamente nada. Se fosse uma resistência armada combinada com uma luta político-social, político-institucional, eu acredito que teria sido mais correto.”

Nascido em Passa Quatro (MG) em 1946, José Dirceu de Oliveira e Silva mudou-se para São Paulo com 14 anos. Foi vice-presidente do Diretório Central dos Estudantes, presidente do Centro Acadêmico XXII de Agosto e, em 1968, como presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE), tornou-se um dos principais líderes do movimento estudantil nacional. Foi preso em 1968, em Ibiúna-SP, durante o 30º Congresso da UNE. Após desembarcar no México, transferiu-se para Cuba, onde trabalhou e estudou. Voltou clandestinamente ao Brasil e viveu por quatro anos em Cruzeiro do Oeste, no interior do Paraná. Passou mais um período em Cuba e, com a anistia, retornou a São Paulo, onde fixou residência. Foi um dos fundadores do PT, elegendo-se deputado estadual em 1986. Em 1990, foi eleito deputado federal por São Paulo. Em 1994, candidato ao governo de São Paulo, ficou em terceiro lugar, obtendo mais de dois milhões de votos. Em 1995, assumiu a presidência do PT, tendo sido reeleito em 1997, 1999 e 2001 – desta vez, em eleição direta entre os filiados do partido. Voltou à Câmara dos Deputados em 1998. Foi o coordenador da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República em 2002 e, após a vitória, assumiu o posto de coordenador político da equipe de transição. Licenciou-se da presidência do PT e do cargo de Deputado Federal para assumir como Ministro-Chefe da Casa Civil da Presidência da República. Permaneceu no governo até junho de 2005, quando voltou à Câmara dos Deputados para defender seu mandato, que seria objeto de uma cassação política em dezembro do mesmo ano.



JOSÉ IBRAHIN
“Eles não imaginavam que o compromisso dos milicos com os americanos era tão forte assim, que se pedissem para esvaziar duas, três cadeias, dois, três Presídios Tiradentes, esvaziava.”

José Ibrahin é egresso do movimento operário que se desenvolveu, nos anos 1960, no politizado município paulista de Osasco. Atuante na Comissão de Fábrica da Cobrasma, em junho de 1967, aos 21 anos de idade, foi eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e, no ano seguinte, liderou a segunda greve operária durante o regime militar. Foi preso em fevereiro de 1969. No exílio, viveu em Cuba, Chile, Panamá e Bélgica. Em Bruxelas, foi fundador e presidente durante cinco anos da Casa Latinoamericana, organismo apoiado pela ONU que recebia os exilados políticos da América Latina. Ibrahin foi o primeiro banido a desembarcar no Brasil, meses antes da Lei da Anistia. Em 1979, integrou o núcleo de nove dirigentes sindicais que deu origem ao Partido dos Trabalhadores. Tornou-se membro da Executiva Nacional do partido e, em 1982, candidatou-se à Câmara dos Deputados. Quatro anos depois, trocou o PT pelo PDT. Participou da fundação de três centrais sindicais e atualmente é secretário geral do Centro de Atendimento ao Trabalhador, entidade ligada à Diocese de São Paulo. Em 2006, candidatou-se a Deputado Federal pelo Partido Verde.



MARIA AUGUSTA CARNEIRO RIBEIRO
“No momento em que eu soube que estava na lista, me veio uma sensação de gratidão.”

Nascida em 1947, Maria Augusta Carneiro Ribeiro participou do grêmio estudantil antes de passar um ano nos Estados Unidos, em programa de intercâmbio. Em 1967, cursava a Escola Nacional de Direito e militava na DI-GB. No ano seguinte, foi presa no Congresso da UNE, em Ibiúna. Foi novamente detida em maio de 1969. Juntou-se ao grupo que seguiu do México para Cuba. Mais tarde passou por Chile, Itália, Argélia e Suécia, onde se graduou em Pedagogia pela Faculdade de Artes e Ciências da Universidade de Uppsala. Em 1979, com a anistia, regressou ao Brasil e participou da fundação do PT carioca. Trabalhou na Companhia Vale do Rio Doce, onde presidiu a entidade dos funcionários. Durante o governo Benedita da Silva, foi diretora da fundação Santa Cabrini, órgão da Secretaria de Justiça do Estado do Rio de Janeiro dedicado à recuperação e reintegração de detentos. Maria Augusta vive no Rio de Janeiro, onde é Ouvidora Geral da Petrobras.



MARIO ZANCONATO
“Quando eu chego em Belém, e o aviãozinho estaciona praticamente ao lado daquele monstro, aquele avião de transporte, o Hércules, ali, eu falei: ‘O negocio parece que é sério mesmo, parece que a gente vai’”.

Mario Roberto Galhardo Zanconato nasceu no Rio de Janeiro, em 1945. Estudante de Medicina em Belo Horizonte, iniciou militância no PCB em 1963. Logo após o golpe de 1964, tornou-se dirigente do Comitê Universitário, vindo a participar, sucessivamente, do Comitê Municipal e da Comissão Juvenil do Comitê Estadual do partido. Em 1966, juntamente com a maioria dos comunistas de Belo Horizonte, desligou-se do PCB para fundar a Corrente Revolucionária, que manteve uma relação de semi-autonomia com a ALN, liderada por Carlos Marighella. Preso em abril de 1969, após participar de algumas ações armadas, demorou a ser libertado por resistência de setores do Exército mineiro, sendo afinal transportado pela Aeronáutica para Belém, onde foi o último a embarcar no Hércules 56. Integrou-se ao sistema de saúde de Cuba como médico de terapia intensiva, em 1972. Em 1993, fixou residência em São Paulo. Desde então, trabalha na UTI de um hospital público em Diadema.



RICARDO VILAS
“Eles achavam que eu não deveria ir pra Cuba, porque pra ir pra Cuba tinha que ter um nível ideológico, era só pra aqueles que treinariam e voltariam pra fazer a luta armada.

O carioca Ricardo Vilas Boas de Sá Rego iniciou sua carreira musical no grupo Momentoquatro. Participou do Festival da Record de 1967, ao lado de Edu Lobo, com Ponteio. Estudante de Psicologia e ligado à DI-GB, foi preso em 1° de maio de 1969. Permaneceu algum tempo no México e veio a optar pelo exílio na França, onde formou uma bem sucedida dupla musical com Teca Calazans, gravando discos e se apresentando em diversos países europeus. Voltou ao Brasil em dezembro de 1979, com a anistia, quando aderiu ao PT e participou das campanhas eleitorais que se seguiram, tendo composto a música da campanha de Lysâneas Maciel e Vladimir Palmeira em 1982. Trabalhou em TV como diretor musical, desenvolveu uma carreira solo de intérprete e, nos últimos doze anos, divide seu tempo entre Paris e o Rio de Janeiro. Ricardo tem mais de 20 discos gravados.



RICARDO ZARATTINI
“Era cada cabeça uma sentença. E, como até hoje, se você reunir nessa mesma sala os remanescentes, só é um número menor de divergências porque já morreram seis.”

O engenheiro Ricardo Zarattini Filho nasceu em Campinas, SP, em 1935. Ainda como secundarista, participou da campanha O Petróleo é Nosso, que resultou na criação da Petrobras. Foi presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo. Em 1962, trabalhando como engenheiro na Cosipa, filiou-se ao Sindicato dos Metalúrgicos da Baixada Santista e atuou nas lutas e greves dos trabalhadores pela conquista do 13° salário. Após o golpe militar, atuou na reorganização do movimento canavieiro no Nordeste e foi preso três dias antes da decretação do AI-5, em dezembro de 1968. Cinco meses depois, conseguiu fugir e foi novamente preso em São Paulo pela Operação Bandeirantes (OBAN). Libertado em troca do embaixador Elbrick, seguiu para o México e daí para Cuba, onde viveu quase dois anos. Em 1971 foi para o Chile e, com a queda do governo Allende, voltou ao Brasil clandestinamente em 1974. Foi novamente preso em 31 de maio de 1978 e libertado pela anistia, em 1979, sendo o primeiro brasileiro a ter o banimento revogado. No início dos anos 1980, Zarattini participou do CONCLAT e das greves do ABC paulista. Trabalhou na Assembléia Nacional Constituinte como assessor e foi candidato à Câmara dos Deputados em 2002, ficando na 4º suplência. Trabalhou na Casa Civil durante 13 meses. No início de 2004, passou a exercer o mandato de deputado federal e continua a ser um militante do PT.



VLADIMIR PALMEIRA
“Eu fiz (em Cuba) aquele treinamento que um amigo nosso chamava “fábrica de cadáveres”, porque as pessoas iam lá, faziam o treinamento, achavam que eram guerrilheiros, voltavam pra seus países e morriam todas.”

O economista Vladimir Gracindo Soares Palmeira nasceu em Maceió, em 1944, em família de forte tradição política. O pai, Rui Palmeira, participou da elaboração da Constituição de 1946. Um de seus irmãos, Guilherme Palmeira, governou Alagoas; e outro, Miguel Palmeira, foi deputado estadual. Estudante de Direito no Rio de Janeiro, Vladimir em 1966 foi eleito presidente do CACO, diretório de estudantes da faculdade. No ano seguinte, tornou-se presidente da União Metropolitana dos Estudantes (UME). Desempenhou papel destacado no movimento estudantil carioca e, em 26 de junho de 1968, liderou a Passeata dos 100 Mil, a mais importante manifestação de rua contra o regime militar. Preso durante o Congresso da UNE em Ibiúna, SP, permaneceu dez meses detido, até ser libertado durante o seqüestro do embaixador Elbrick. Seguiu do México para Cuba, onde viveu por três anos. Partiu para o Chile no final de 1972 e, com a queda do governo Allende, exilou-se na Bélgica, vindo a formar-se em Economia pela Universidade Livre de Bruxelas. De volta ao Brasil, participou do congresso de fundação do PT. Em 1986 foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro, participando da elaboração da Constituição de 1988. Foi por duas vezes escolhido pelo Diretório Estadual do PT para a disputa do governo fluminense, mas as coligações com outras agremiações levaram a direção nacional do partido a não aprovar sua candidatura – o que só viria a acontecer nas eleições de 2006. Publicou o livro Abaixo a Ditadura, sobre o movimento estudantil de 1968, escrito com José Dirceu. Palmeira vive no Rio de Janeiro.



- Os que já faleceram

GREGÓRIO BEZERRA


O pernambucano Gregório Bezerra dedicava-se, no início dos anos 1960, à organização de sindicatos rurais no nordeste. Foi preso poucos dias depois do golpe de 1964 e, a caminho da prisão em um quartel do IV Exército, foi arrastado e supliciado pelas ruas de Recife. Era o mais antigo preso político do país quando foi libertado em 1969, aos 68 anos. Do México foi para Cuba e acabou optando por exilar-se em Moscou. Em 1979 voltou ao Brasil, onde morreu de ataque cardíaco em 1983.



IVENS MARCHETTI

O arquiteto Ivens Marchetti de Monte Lima era militante da Dissidência de Niterói, organização que em 1968 tentou sem sucesso implantar um foco guerrilheiro no Paraná.
O grupo publicava um jornal clandestino intitulado 8 de Outubro e foi praticamente exterminado nos primeiros meses de 1969. Para divulgar essa vitória, os órgãos de segurança batizaram a organização de MR-8. Contrapondo-se a essa propaganda, a DI-GB adotou o mesmo nome ao assinar a autoria do seqüestro do embaixador Elbrick juntamente com a ALN. Marchetti passou a maior parte do exílio em Estocolmo. Vivia entre Juiz de Fora e Arraial do Cabo quando morreu de câncer, em novembro de 2002.



JOÃO LEONARDO ROCHA


O advogado e professor baiano João Leonardo da Silva Rocha era militante da ALN quando foi preso, em 1969. Voltou ao Brasil clandestinamente como membro do Molipo, dissidência da ALN formada em 1971. Foi localizado e assassinado pela polícia no município baiano de Malhadinha, em 1974.



LUÍS TRAVASSOS

Militante da Ação Popular, Travassos foi presidente da UEE de São Paulo e presidente da UNE, em 1968. Foi preso em Ibiúna, em outubro de 1969. Viveu o exílio em Cuba e na Alemanha, voltando ao Brasil em 1981. Morreu em um acidente de carro durante o carnaval de 1982, no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro.



ONOFRE PINTO


O sargento do Exército Onofre Pinto Rosário nasceu em Jacupiranga, SP. Foi militante do MNR e, em 1968, fundou a VPR. Foi preso em março de 1969. Do México foi para Cuba e, em seguida, para o Chile. Após o golpe que derrubou Allende, fugiu para a Argentina. Em julho de 1974, ao tentar voltar clandestinamente ao Brasil juntamente com cinco companheiros, foi morto em uma emboscada da polícia próximo a Medianeira, no sudoeste do Paraná.



ROLANDO FRATI

O metalúrgico paulista Rolando Frati militou ativamente no PCB até ligar-se ao Agrupamento Comunista de São Paulo, liderado por Marighella. Morou em Cuba antes de transferir-se para a Europa, onde organizou, juntamente com outros líderes sindicais exilados, uma entidade de apoio à luta contra a ditadura militar brasileira. Voltou ao país com a anistia e teve morte natural em 1991.



-0 Os idealizadores do seqüestro

O filme promoveu a reunião de cinco militantes das organizações revolucionárias que realizaram o seqüestro. Alguns não se viam desde o momento em que libertaram o embaixador Elbrick. Os três primeiros formavam a Direção Geral da DI-GB, que a partir daquele momento passou a denominar-se MR-8. Os dois últimos participaram da operação pela ALN.



CLÁUDIO TORRES
“Quando a gente pegou o carro da embaixada – era um carro hidramático, automático – em vez de embrear, eu enfiei o pé no freio. O carro deu uma parada, ficou balançando.”

Cláudio Torres da Silva nasceu em Porto Alegre, em 1945. Começou a militar no PCB em 1966. Era vice-presidente do DCE quando foi suspenso do curso de Economia da Universidade Federal. Mudou-se com a família para o Rio de Janeiro e foi trabalhar no Instituto Brasileiro de Reforma Agrária. Ingressou na DI-GB e, a partir da Conferência de 1967, passou a integrar a Direção Geral e a coordenar a Frente de Trabalho Armado da organização. Detido no dia seguinte à libertação do embaixador, foi intensamente torturado pelo Cenimar. Permaneceu preso por sete anos, até setembro de 1976. Em São Paulo, acompanhou o movimento sindical que daria origem ao Partido dos Trabalhadores e integrou-se ao grupo que havia reorganizado o MR-8, onde militou por seis meses. Mudou-se para Campinas e iniciou curso de Ciências Sociais na Unicamp. Trabalhou vários anos na Emplasa e na Cesp. Vive em Teresópolis, RJ.



DANIEL AARÃO REIS
“Não é seqüestro. Seqüestro é assumir um crime. O que você está cometendo é uma ação revolucionária.”

O historiador carioca Daniel Aarão Reis Filho nasceu em 1946. Foi eleito presidente da União Metropolitana dos Estudantes em 1967, sendo sucedido em 1968 por Vladimir Palmeira. Atuava na Frente Operária da DI-GB e, em abril de 1969, passou a integrar a Direção Geral da organização. Foi preso em março de 1970. Em junho daquele ano, foi libertado em troca do embaixador alemão Ehrenfried von Holleben. Da Argélia transferiu-se para o Chile e, mais tarde, para a Europa. Graduou-se em História pela Universidade de Paris VII, onde também fez mestrado, pesquisando a evolução do Estado no Brasil. Entre 1976 e 1979, foi professor na Universidade Eduardo Modlane, em Moçambique, onde também dirigiu o Departamento de História. Transferiu para o Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro o amplo acervo de documentos das esquerdas brasileiras reunido para sua pesquisa de doutorado na USP, que resultou na tese As Organizações Comunistas e a Luta de Classes: 1961/1968. Em 1980, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores. Daniel é autor de diversos livros, entre eles: Ditadura Militar, Esquerda e Sociedade, 1968, a Paixão de uma Utopia e A Revolução Faltou ao Encontro: os Comunistas no Brasil.



FRANKLIN MARTINS
“Aí eu disse: ‘E porque nós não fazemos o contrário, em vez de fazer uma ação pra libertar o Vladimir, nós não capturamos o embaixador e trocamos?’”

Filho do jornalista e político Mário Martins, Franklin aos 15 anos já trabalhava como estagiário do jornal Última Hora, do Rio de Janeiro. Em 1967, entrou para a Faculdade de Ciências Econômicas da UFRJ, onde se ligou à Dissidência Universitária. Foi eleito secretário-geral do diretório acadêmico e, meses depois, vice-presidente da União Metropolitana dos Estudantes, na gestão Daniel Aarão Reis. Em outubro de 1968, pouco depois de ser eleito presidente do Diretório Central dos Estudantes da UFRJ, foi preso no congresso da UNE, em Ibiúna, SP. Permaneceu detido por dois meses até ser libertado graças a um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal, dois dias antes da edição do AI-5. Passou imediatamente para a clandestinidade. Também membro da Direção Geral da DI-GB, Franklin foi o autor do primeiro esboço do manifesto divulgado durante o seqüestro do embaixador Elbrick. Depois da intensa onda repressiva que se seguiu ao seqüestro, que desarticulou parcialmente a DI-GB, Franklin foi para Cuba. Poucos dias depois da posse de Allende, seguiu para o Chile e, no início de 1973, voltou para o Brasil e viveu clandestinamente em São Paulo pouco mais de um ano. A prisão de companheiros próximos o levou a deixar novamente o Brasil para exilar-se na França, onde se diplomou na École des Hautes Études en Sciences Sociales, da Universidade de Paris. Voltou para o Brasil em 1977, permanecendo clandestino em São Paulo até a anistia, em fins de 1979. Trabalhou no jornal Hora do Povo até 1982, quando se desligou do MR-8 e candidatou-se a deputado, sem ser eleito. Nos dois anos seguintes, foi repórter do Indicador Rural e, a partir de 1985, trabalhou em O Globo e no Jornal do Brasil, chegando à coordenação política da sucursal em Brasília. Trabalhou também no SBT e em O Estado de São Paulo. Em 1991 e 1992 foi correspondente do JB em Londres. Retornando ao Brasil, voltou a trabalhar em O Globo como repórter especial, colunista político, editor de política e diretor da sucursal de Brasília. Durante oito anos e meio, foi comentarista político da TV Globo, da Globonews e da Rádio CBN. Em 2006, passou a exercer as mesmas funções na TV e na Rádio Bandeirantes.



PAULO DE TARSO VENCESLAU
“O AI-5 praticamente lançou a pedra fundamental do seqüestro. O seqüestro só acabou sendo pensado como saída porque ficaram quatro lideranças estudantis presas.”

Nascido em Santa Bárbara d’Oeste (SP), em 1943, Paulo de Tarso foi criado em Taubaté e vive em São Paulo desde os 21 anos. Iniciou em 1965 o curso de Economia na USP, que veio a completar em 1975, depois de passar mais de 5 anos na prisão, condenado por sua participação no rapto do embaixador Elbrick. É pós-graduado e doutorando em Ciências Sociais pela Unicamp. Foi diretor do Centro Acadêmico Visconde de Cairu, da FEA/USP; coordenador da UUE/SP, gestão José Dirceu; e um dos organizadores do 30º Congresso da UNE realizado em Ibiúna/SP, em outubro de 1968. Foi preso em 3 de outubro de 1969, menos de um mês depois do seqüestro do embaixador norte-americano, e só foi libertado em 23 de dezembro de 1974. Ex-dirigente do PT em São Paulo, foi diretor da CMTC (gestão Luiza Erundina) e secretário de Finanças das prefeituras de Campinas e São José dos Campos. Foi desligado do PT em fevereiro de 1998 e hoje é sócio e diretor de redação do jornal Contato, semanário de Taubaté/SP.



MANOEL CYRILLO
“A troca dos presos terminou sendo o mais fácil de a ditadura atender. A (exigência) mais dolorosa foi romper a censura e divulgar o manifesto.”

Manoel Cyrillo de Oliveira Netto nasceu em Salvador, em 1946. Estudante secundarista em São Paulo, entrou para a ALN, onde participou de ações de um Grupo Tático Armado. Detido em 30 de setembro de 1969, passou dez anos em diversas prisões. Parcialmente anistiado, foi libertado em setembro de 1979, cumprindo ainda dois anos de liberdade condicional. Iniciou carreira como publicitário na agência DM-9, do seu primo Duda Mendonça. Mais tarde, criou em Campinas sua própria agência, a TK Maneco. Um trabalho seu para a Sanyo ganhou a Medalha de Ouro do Festival Internacional de Nova York em 1982. Sempre que pode, Manoel Cyrillo colabora com a propaganda eleitoral de amigos de diferentes partidos. Atualmente, vive no Rio de Janeiro e trabalha na área de comunicação da Petrobras.




Nota: Também participaram do seqüestro do embaixador Elbrick, pela ALN, Virgílio Gomes da Silva (Jonas), comandante da operação, morto sob tortura em setembro de 1969, e Joaquim Câmara Ferreira (Toledo), morto sob tortura em outubro de 1970.




Pela DI-GB/MR-8, participaram ainda Antonio Freitas Filho, Cid Queiroz Benjamin, Fernando Gabeira, João Lopes Salgado, João Sebastião Rios de Moura, Sergio Rubens Araújo Torres e Vera Silvia Magalhães.



HÉRCULES 56 – O FILME

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