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Bandeiras e significados

BRASIL, PORTUGAL, BANDEIRAS E SIGNIFICADOS
Por Cristiano Catarin

Verde, amarelo, azul e branco: estas são as cores presentes na atual bandeira do Brasil. Rabiscada em calçadas e ruas da periferia; estiada em eventos oficiais, gabinetes e tantos outros lugares talvez revelando honraria político-administrativa; estampada no rosto de manifestantes populares; comercializada em cada esquina durante a realização de eventos esportivos como as copas do mundo de futebol, a bandeira brasileira é um poderoso símbolo carregado de significados. É também uma ilustração estética de grande beleza.



Bandeiras representam símbolos com a capacidade de criar uma identidade particular. A bandeira do Brasil ilustra a nação brasileira relacionando o símbolo as formas e dimensões forjadas com elementos positivistas adotadas por seus idealizadores.

A bandeira da República Federativa do Brasil foi adotada em 19 de novembro de 1889, por meio do decreto número IV, preparado por Benjamin Constant, então membro do governo provisório.

O responsável por idealizar a bandeira do Brasil foi Raimundo Teixeira Mendes. Sua idéia contou com a colaboração de parceiros como: Dr. Miguel Lemos e o professor Manuel Pereira Reis, este último fora catedrático de astronomia pela Escola Politécnica. O desenho da “imagem” ficou por conta do pintor Décio Vilares.


A Representação das Cores

Ao longo da existência da bandeira brasileira, algumas interpretações foram feitas a respeito do significado ou representatividade de suas cores. Há uma leitura popular que relaciona as cores da bandeira com aspectos naturais inerentes ao território do país, como por exemplo, a relação do abundante verde da bandeira com a floresta amazônica, ou ainda o amarelo com as riquezas da terra, etc.

O fato é que as cores possuem sim um significado, porém, destacando outros aspectos, como veremos a seguir:

As cores, verde e amarelo estão relacionadas com a casa real de Bragança, da qual fazia parte d. Pedro I, bem como a casa real dos Habsburg, à qual pertencia a imperatriz d. Leopoldina. O circulo azul refere-se à imagem duma esfera celeste, posicionada segundo a latitude da cidade do Rio de Janeiro às 12 horas siderais (08 horas e 30 minutos) do dia 15 de novembro de 1889.

As estrelas representam cada estado de federação. As estrelas estão dispostas em diferentes tamanhos, no caso, são cinco grandezas diferentes – a diferenciação de tamanhos está relacionada com aspectos astronômicos, direta ou indiretamente.


O Hino a Bandeira

Instituído em 18 de fevereiro de 1890, o hino à bandeira faz parte das comemorações oficiais do Brasil. Em tempos de “7 de setembro e 15 de novembro” pode-se observar com maior freqüência a presença da bandeira nacional, principalmente em locais que representam a “história oficial” do país.




O Lema “Ordem de Progresso”

Quanto à faixa branca a explicação mais encontrada em pesquisas é a de que não há qualquer relação desta faixa com aspectos astronômicos. Relatos afirmam que esta faixa foi inserida simplesmente para “abrigar” o lema ordem e progresso.

Ordem e progresso foi um lema inserido na bandeira do Brasil em homenagem ao positivista francês Augusto Comte, do qual o brasileiro Teixeira Mendes (um dos idealizadores da bandeira) era seguidor.


Brasil e Portugal

País “forjado” na dimensão e na presença maciça de religiosidade, Portugal costumeiramente fora representado por simbolismos que compartilham ideologias do sagrado. Na bandeira portuguesa existem dois elementos principais que estão dispostos numa confluência amparada pela tradição e convicção lusitana. Uma cruz (símbolo religioso) e uma esfera armilar (símbolo náutico) fundem-se na bandeira de Portugal representando uma idéia de futuro da nação.

A esfera armilar traz o imaginário de domínio do universo, enquanto a cruz pretende afirmar que Portugal é um país escolhido pelo sagrado. Há, portanto, uma confluência entre o futuro da nação com o corpo de Deus e corpo da pátria.



Fazendo um breve paralelo com a bandeira brasileira percebe-se que, embora colonizado pelos portugueses, o elemento religioso não está presente especificamente na elaboração da atual bandeira do Brasil, país que também já recebera o nome de “Terra de Santa Cruz”. Será algo paradoxal? O que não se pode negar, conforme vimos anteriormente, é a presença duma expressiva influência das ideologias e propostas do positivismo francês. Tanto a bandeira portuguesa como a brasileira transmitem o imaginário de construção da nação, a primeira contando com a colaboração e “aprovação” divina a cada conquista, enquanto que a segunda considera o esforço movido pela transformação do trabalho do homem a cada vitória da liberdade.


Para Saber Mais:


Agosto de 2007
E-mail: cristiano@historianet.com.br
Blog: www.historiaecia.zip.net

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